Mesmo com retrocessos, vendas globais de carros elétricos aceleraram em 2025

A única região a apresentar queda foi a América do Norte, e crescimento se revelou ligeiramente maior que o de 2023 para 2024
Atualizado: 15 de janeiro de 2026 04:01
Navio da BYD em foto aérea em Rotterdam, Países Baixos
Navio da BYD em foto aérea em Rotterdam, Países Baixos | BYD / Divulgação

Mesmo com a maior economia do mundo adotando uma postura anti transição energética, e com fabricantes ocidentais anunciando diversos retrocessos, isso não parece ter freado o avanço da eletrificação. Segundo os novos dados da consultoria Rho Motion, as vendas globais de carros de passageiros e veículos leves elétricos atingiram a marca de 20,7 milhões de unidades em 2025, representando um crescimento de 20% em relação ao ano anterior, e um crescimento ligeiramente maior que o registrado em 2024 em comparação com 2023. Em 2025, foram 3,6 milhões de unidades a mais que 2024, versus 3,5 entre 2023 e 2024.

O relatório pinta um cenário de contrastes geográficos acentuados: enquanto a Europa e a China e o “resto do mundo” (oi!?) continuam a acelerar, a América do Norte (especificamente: os Estados Unidos) enfrenta um revés significativo.

Europa ultrapassa China em crescimento

A grande surpresa de 2025 foi o desempenho do “velho continente”. A Europa registou um crescimento de 33%, ultrapassando a China como a grande região com a expansão mais rápida. No total, foram vendidos 4,3 milhões de VEs na região.

Alemanha e Reino Unido lideraram, com aumentos de 48% e 27%, respetivamente. O mercado dividiu-se entre Veículos Elétricos a Bateria (BEVs), que cresceram 31%, e Híbridos Plug-in (PHEVs), que subiram 38%.

Este “boom” europeu ocorreu num ano de alterações legislativas, onde o abrandamento das metas de emissões da UE parece iminente, mas os subsídios ao consumidor continuam a auxiliar a demanda em países chave. Para 2026, espera-se que o mercado europeu continue a crescer (previsão de +14%), impulsionado pela necessidade de cumprir as metas de emissões de 2025-27 e pelo regresso de incentivos em países como a França e a Alemanha.

China e amigos

A China mantém-se como o maior mercado do mundo em volume, com 12,9 milhões de unidades vendidas (+17%). No entanto, o crescimento interno abrandou no final do ano. Ano passado as China vendeu, pela primeira vez, mais veículos eletrificados do que convencionais. O crescimento mais brando que na Europa é de esperar, num país onde se vê também indícios de uma situação de superprodução.

Com um mercado concorrido (e talvez até saturado) internamente, os fabricantes chineses viraram-se para o exterior. A BYD, por exemplo, mais do que duplicou as suas exportações, ultrapassando um milhão de unidades enviadas para fora da China. Esta estratégia foi fundamental para o crescimento no no resto do mundo, que viu as vendas dispararem 48%.

Esse valor se deve a um movimento forte no Sudeste Asiático, que quase dobrou suas vendas, e na Coreia do Sul, que viu um aumento de 50% (o Japão marcou modestos 6%).

Mas não ficamos de fora. No Brasil o crescimento foi de 39%, segundo números da ABVE, que são mais estritos, excluindo híbridos leves. Provavelmente é uma anomalia, mas dezembro de 2025, o mês em que mais EVs foram vendidos na história do Brasil, marcou um aumento de 160% comparado ao dezembro anterior, se considerando elétricos puros, ou mais de 60%, considerando todos os eletrificados.

Na contramão do mundo

Em contraste gritante com o resto do mundo, a América do Norte viveu um ano “tumultuoso”. O Canadá viu uma queda de 41%, contando a remoção dos subsídios em janeiro, e, nos EUA, o mercado estagnou com um crescimento de 1% – com a perspectiva de piorar, porque ocorreu uma corrida às concessionárias com o fim do subsídio em outubro, causando um boom temporário em vendas.

O relatório cita o impacto das políticas da administração Trump, que cumpriu promessas de reverter incentivos à compra de VEs (e basicamente está desmontando também a de eletricidade de fontes renováveis). A incerteza levou fabricantes como a GM a cancelar contratos de baterias.

A Rho Motion prevê que o mercado dos EUA encolha 29% em 2026, devido à falta de apoio legislativo e ao facto de as marcas estarem a desviar o investimento de volta para os motores de combustão interna.

O México é a exceção no subcontinente, com 29% de crescimento. Porém, o país aprovou recentemente um “tarifazo” contra a China, no que foi considerado um aceno aos EUA para não imporem sanções ao país.

Resumo: vendas de carros elétricos em 2024 versus 2025

Vendas mensais de eletrificados em 2025 | Rho Motion / Reprodução
  • Global: 20,7 milhões (+20%)
  • China: 12,9 milhões (+17%)
  • Europa: 4,3 milhões (+33%)
  • América do Norte: 1,8 milhões (-4%)
  • Resto do Mundo: 1,7 milhões (+48%)

Charles Lester, Gestor de Dados da Benchmark Mineral Intelligence, comentou: “Há um ano, poucos poderiam ter previsto a reviravolta no mercado que resultou numa paisagem praticamente irreconhecível agora que entramos em 2026. (…) Pela primeira vez em sete anos, prevemos que o mercado nos EUA encolha quase um terço.”

A Rho Motion vê o ano de 2026 com um de desafio para as vendas de carros elétricos, com a contínua retração nos EUA, mas a força combinada da Europa e dos mercados emergentes sugere que a transição elétrica global não vai esperar por eles.

Via Rho Motion

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