
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) realizou uma coletiva de imprensa hoje (8 de dezembro) trazendo sua avaliação do ano de 2025 até agora para a indústria automotiva brasileira. Os números trazem algumas revelações sobre o panorama geral e como os carros elétricos e eletrificados estão evoluindo, num contexto de uma aparente invasão chinesa e que é principalmente de veículos nessas categorias.
Em geral, foi um ano que começou bem e foi perdendo fôlego. A produção total de veículos do Brasil, 219 mil unidades, foi 8,2% inferior a novembro de 2024, numa queda puxada pelos pesados, que tiveram declínio acentuado nos últimos meses, com ônibus registrando uma queda de 45,4% em relação a novembro de 2024, e caminhões, 27,1%.
O emplacamento (total 238,6 mil unidades) caiu 5,9% na comparação com novembro de 2024. Mas o ano ainda apresenta um saldo positivo, com 10,8% a mais de emplacamentos de automóveis no acumulado comparativo .

Esse saldo positivo tem uma informação interessante: contando os pesados, há 2,410 milhões de unidades emplacadas desde o começo do ano, numa modesta alta de 1,4% em relação a janeiro-novembro de 2024. Mas essa alta foi sustentada por modelos importados, com os emplacamentos de nacionais neste período subindo apenas 0,1%.
A “invasão chinesa” dos eletrificados
O que nos leva a uma mudança em andamento. A Argentina segue sendo a maior parceira em exportações para o Brasil, mas a China disparou no mesmo período, chegando bem perto de seus números (181.854 para a Argentina vs 161.952 para a China, contando o ano todo). Em 2025, enquanto as vendas de carros da Argentina pra o Brasil caíram em 8,4%, as da China subiram explosivos 53,1%.

Como resultado, há uma mudança no balanço dos emplacamentos dos importados, com a China começando o ano com pouco mais da metade do volume da Argentina, superando o vizinho do Mercosul em agosto, e mantendo essa posição desde então.

Junto com a invasão chinesa, vem o aumento dos eletrificados plug-in – aqueles que podem carregar na tomada e, em tese, dispensar o posto.
Segundo o relatório de emplacamentos da Fenabrave, em novembro de 2025, três maiores fabricantes de elétricos puros foram a BYD, Geely e Volvo (que é propriedade da Geely), com 80% do mercado. Em híbridos, há a BYD novamente, com 28,16%, seguida pela GWM, com 20,47%, e agora um concorrente ocidental, a FIAT, com 16,05% – mas a FIAT entra um pouco de bicão nessa, porque sua oferta são híbridos leves (MHEV), carros com algum suporte elétrico para arrancada, mas que não são considerados realmente elétricos em algumas classificações.

A ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) exclui os MHEV de suas classificações e considera que 79,9% dos eletrificados vendidos em novembro eram do tipo plug-in (nos números do gráfico acima, são 63%).
Assim, pelos números da Anfavea, temos até agora um 2025 com um aumento de 57,7% em eletrificados no mesmo ano em que a China subiu 53,1% em vendas, e que as importações sustentaram o crescimento nas vendas. A conclusão (algo óbvia) é que a China conduz a explosão de eletrificação, movida por suas ofertas por valores que até poucos anos atrás se achava ser impossíveis para carros elétricos. Com mais marcas no país e com mais montadoras chinesas seguindo o exemplo da BYD e GWM e se nacionalizando, 2026 será um ano decisivo para a eletrificação.