Foto promocional do Porsche Macan
Macan atual | Porsche / Divulgação

A Porsche, sob direção do novo CEO Michael Leiters, que assumiu no começo do ano, deve dar alguns passos para trás na eletrificação da sua rota. A empresa passará a adotar uma linha de produtos mista, combinando carros a combustão, híbridos e elétricos, em vez de acelerar a substituição dos motores a gasolina. Admitindo o retrocesso, a empresa anunciou o retorno do Macan a gasolina em 2028.

O carro a combustão será vendido ao lado da versão elétrica, que já mudou completamente de geração e passou a usar apenas baterias. Em entrevista recente ao Financial Times, Leiters rejeita o rótulo de cético em relação aos EVs e afirmou que a Porsche precisa evitar investimentos duplicados no mesmo segmento e alegou que ainda existe demanda por motores a gasolina entre compradores de carros premium, então não pode deixar de aproveitar tal fatia do mercado.

Os números são os argumentos para o recuo: as vendas do Macan elétrico caíram 40% no primeiro semestre, enquanto a versão a combustão, ainda oferecida em mercados fora da União Europeia, cresceu 2%. No total, o Macan teve 35.315 unidades entregues no período, queda de 21,8%. A margem operacional da Porsche, por sua vez, chegou a apenas 1,1% em 2025.

Nessa guinad, a Porsche está cortando custos. A empresa prevê eliminar 9.000 empregos até 2035 e fechou operações ligadas a bicicletas elétricas, baterias e software. Também levantou cerca de € 1 bilhão com a venda de participações na Bugatti Rimac e no Grupo Rimac.

Ao mesmo tempo, a Porsche trabalha tentando agradar a todos: enquanto mantém o desenvolvimento do 718 elétrico, a empresa confirma que o 911 não terá uma versão totalmente elétrica. O esportivo seguirá com motores a combustão e o sistema híbrido do Carrera GTS. A própria Porsche afirma que o híbrido será parte permanente da estratégia do 911, e não apenas uma solução de transição.

A estratégia também prevê maior uso de tecnologias compartilhadas dentro do Grupo Volkswagen para reduzir custos de desenvolvimento dos elétricos. A ideia é concentrar os investimentos onde a Porsche acredita que eles fazem mais sentido, enquanto mantém alternativas a combustão para segmentos nos quais a demanda ainda é forte.

No Brasil, ainda é possível encontrar o Macan em versões a combustão em algumas concessionárias. O modelo deixou de ser vendido para a Europa em 2024, mas foi produzido até julho para mercados como aqui e os EUA.

Via Motor1/Financial Times