Primeiro Tesla Cybercab deixa linha de montagem, sem volante – nem software habilitado a dirigi-lo

Modelo acaba de entrar em produção, mas até hoje o sistema autônomo da Tesla não foi certificado para andar sem supervisão humana
Atualizado: 18 de fevereiro de 2026 07:02
O carro robótico Tesla Cybercab
Cybercab | Tesla / Divulgação

Ontem, a Tesla anunciou oficialmente no X que a primeira unidade de produção do robotáxi Cybercab saiu da linha de montagem na Gigafactory Texas.

A Tesla já tinha um programa de robotáxis na forma de Models Y adaptados, circulando na cidade de sua sede, Austin, Texas. Em dezembro, haviam começado testes sem supervisão humana, mas, após alguns acidentes em baixa velocidade, a Tesla foi obrigada a voltar atrás e instalar novamente pessoas atrás do volante.

O Cybercab é um modelo criado especificamente para ser um robotáxi. Diferente de qualquer outro veículo de produção no mundo, não há volante, pedais ou espelhos retrovisores. O interior foi projetado estritamente para dois passageiros e uma tela central, um um veículo que opera exclusivamente de forma autônoma.

Interior do Tesla Cybercab

Outro destaque tecnológico que o evdrops vem acompanhando é a ausência de portas de carregamento convencionais; o Cybercab utiliza um sistema de indução sem fios, permitindo que o veículo se recarregue autonomamente em bases específicas sem a intervenção humana.

A Tesla afirma que seu veículo custará US$ 30 mil (cerca de R$ 150 mil). Isso é uma baita promessa: o modelo mais barato da Tesla atualmente é o Model 3 Standard, versão simplificada saindo a US$ 38.830 (contando taxas). 30 mil é exatamente o mesmo valor que a Ford promete para sua nova caminhonete elétrica, sem promessas de autonomia. A Tesla promete vender não apenas para empresas como a Uber e Lyft, mas também pessoas físicas – quem não quer ou não pode dirigir.

O problema da Tesla: um robô sem cérebro

Com ou sem volante, a autonomia não está apenas no carro, mas no software. E aí está o problema da Tesla até onde se pode averiguar hoje.

O Full Self Driving, o sistema autônomo da Tesla, nunca atingiu mais que autonomia nível 2 (automação parcial, na classificação da SAE), que exige supervisão constante de um motorista no banco, pronto para pegar a direção.

O nível de autonomia 3 (automação condicional), que ainda exige um humano, mas é considerado capaz de tomar decisões, já foi atingido pela Honda, Mercedes e BMW. E o nível 4 (alto nível de automação), que é o que a Tesla precisa ter para lançar um robotáxi viável, é o que tem o Waymo, o robotáxi do Google.

A diferença entre nível 4 e nível 5 (autonomia total, que nenhum carro atingiu até hoje), é que o nível 4 é geograficamente restrito – isso permite aos robotáxis do Google atuarem em cidades já amplamente mapeadas.

A falta de volante (e de autonomia) não deve tornar o Cybercab inviável para testes: nos testes não tripulados com o Model Y, um motorista seguia atrás do táxi, para poder pará-lo remotamente em caso de emergência. Um humano ainda pode ser capaz de assumir o controle de forma remota por um tablet, sem usar volante.

Mesmo com esse “detalhe” técnico, a Tesla está apostando todas suas fichas em robotáxis e robôs humanoides. Na mais recente reunião de acionistas, o CEO Elon Musk anunciou o cancelamento de dois modelos (o S e o X) insistiu mais uma vez que a empresa quer deixar de ser uma montadora para se mover na direção de “um futuro baseado em autonomia”.

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