
A Fiat pôs oficialmente em sua linha europeia a nova variação do 500e: o 500 híbrido. Tem algo de irônico dizer que um carro a combustão interna, com alguma eletrificação (MHEV), é uma variante de uma plataforma elétrica, mas aqui estamos.
Visualmente, ele é idêntico ao ancestral elétrico 500e, com a diferença de pequenas entradas de ar extras no para-choque dianteiro (o motor precisa respirar, afinal) e o escapamento na traseira.
A ideia parece ser dar um passo atrás (baita passo, porque nem plug-in ele é) e usar o inegável carisma do design do 500e e resgatar as vendas do que foi um hit nas décadas de 00 e 10, o 500 de segunda geração.
O Fiat 500e, aqui no Brasil, foi um modelo meio maldito: o design agradou muito mas, vendido apenas em sua versão mais cara, acabou sendo um modelo ultracompacto (não cabem adultos atrás) com alcance de 227 km e uso exclusivamente urbano saindo por mais de R$ 200 mil e perdendo 50% do valor em um ano. Isso foi demais mesmo para os maiores entusiastas.
No exterior, ele não foi muito melhor, e a Stellantis parou a produção ano passado, alegando ”baixa demanda”*.
Fiat 500 Hybrid vem para o Brasil?
Compradores de elétricos são fieis não costumam voltar atrás. Isso quer dizer que quem chegou a se interessar pelo 500e (exceto se foi só pelo visual) não é um cliente potencial para o 500 híbrido. Mas mesmo para um consumidor mais conservador há um problema sério aqui: o novo 500 Híbrido é equipado com um motor 1.0 a gasolina de 64 cv e o torque é de 6,9 kgfm. Isso são características piores que o Fiat 500 de 2012, que tinha 88 cv e 12,5 kgfm. Isso na versão Cult, que era a mais fraca: ele podia chegar a 107 cv na versão Sport, sem nem falar dos 167 cv do 500 Abarth.
Na prática, temos um carro de 2021 com a aceleração do século anterior. O 500 híbirdo precisa de 16,2 segundos para ir de 0 a 100 km/h. A versão Cabrio faz em 17,3 segundos. Empatando com o Uno Mille 1990, que precisava de 17,4 segundos. O 500e, que tem 118 cv, faz em 9 segundos – quase metade.
Mais um passo atrás que talvez pegue os mais nostálgicos é que você controla isso tudo com transmissão manual, num câmbio de 6 marchas. Para não dizer que só espinaframos o Fiat 500 Híbrido, o ponto positivo é o consumo, a 20 km/l na estrada, no que a modesta hibridização o favorece.
Não há nenhuma palavra sobre ele chegar no Brasil, mas ser 1.0, com especificações minimalistas voltadas à economia e o sucesso da segunda geração do 500 são indicações de que seja um forte candidato. Inclusive, se feito no Brasil, poderia se qualificar para o Programa Carro Sustentável, diferente de seu original elétrico.
*Hot take: fabricantes tradicionais fazem produtos de preço elevado numa categoria cada dia mais conhecida por sua economia e daí saem dizendo que não há demanda por elétricos. As pessoas não compram carros elétricos porque querem salvar o mundo – combater a mudança climática não é uma questão de gosto do consumidor, mas de políticas públicas. Elas compram porque veem neles um produto superior.