Carros elétricos carregando ilustração
Carregando… | Graficon Stuff / Unsplash

A Bright Consulting e a BYD lançaram seus dados de emplacamentos de maio, e dá para observar uma forte consolidação de algumas tendências.

Vamos começar por carros individuais: esta é a lista dos cinco veículos leves mais vendidos no ranking geral, de acordo com a Bright:

MarcaModeloEmplacamentos
FIATSTRADA15394
VWPOLO10523
VWT CROSS9455
HYUNDAIHB208357
FIATARGO8274

E… zero carro eletrificado. Onde está a revolução prometida no título?

Fica mais claro o que acontece se a gente der a lista com o percentual de vendas diretas nesses carros, agora incluindo o modesto sexto colocado – que, pelo quarto mês seguido, é o carro mais vendido do Brasil no varejo:

Modelo% Vendas Diretas
FIAT STRADA77,48%
VW POLO72,99%
VW T CROSS67,21%
HYUNDAI HB2068,19%
FIAT ARGO74,56%
BYD DOLPHIN MINI14,50%

Todos os carros a combustão interna mais vendidos ficam abaixo de 33% de vendas para pessoas físicas comuns – dois terços ficam nas vendas diretas, que acontecem principalmente para frotas. De acordo com a Bright, em maio, as vendas diretas dominaram o total de emplacamentos, ficando em 51,9%, contra 48,2% em abril.

O domínio elétrico no varejo

Quando a gente olha pra as vendas no varejo, parece que é outro país. No o contraste com a lista a seguir, com os 5 carros mais vendidos apenas no varejo em maio:

ModeloTotal Emplacamentos
BYD DOLPHIN MINI6.478
GEELY EX24.250
BYD DOLPHIN4.163
HYUNDAI CRETA4.090
BYD SONG4.029

No Planeta Varejo, os três carros mais vendidos do Brasil são elétricos puros (BEV) e o quinto é um híbrido plug-in (PHEV). O único representante da combustão interna nessa lista, o Creta, é legitimamente popular: marcou apenas 26,96% em vendas diretas

É notável o avanço do EX2, que foi de 3.602 para 4.250, ou 18% em um mês e, agora avança contra o Dolphin Mini pelo domínio, antes absoluto, do segmento. Até março, o Mini tinha mais de 50% de participação do mercado em BEVs, mas essa concentração caiu em maio para 36,2%.

E isso aconteceu sem perda de vendas: em abril, o Dolphin Mini havia vendido 6.880 unidades, mas em maio marcou 7.577, seu recorde histórico. Os números assim apontam um crescimento geral do mercado de BEVs, que saltou de 6.969 em maio de 2025 (números da ABVE) para 20.928 em maio de 2026, um aumento de 200%. Superando pela primeira vez a marca de 20 mil unidades emplacadas num mês.

Ranking das montadoras

As 10 maiores montadoras em emplacamentos | Gráfico evdrops sobre dados de Bright Consulting
As 10 maiores montadoras em emplacamentos | Gráfico evdrops sobre dados de Bright Consulting
As 10 maiores montadoras em emplacamentos | Gráfico evdrops sobre dados de Bright Consulting
As 10 maiores montadoras em emplacamentos | Gráfico evdrops sobre dados de Bright Consulting

A BYD, em números absolutos, é a quarta maior montadora do Brasil. Mas, considerando apenas o varejo, segue como a número um pelo segundo mês consecutivo. A marca também superou pela primeira vez os 20 mil emplacamentos.

Desses, 22,2% foram vendas diretas, avançando num segmento extremamente refratário à eletrificação. Falando no que….

O que acontece com as vendas diretas?

Exceto pela Honda e pela Toyota, todas as montadoras tradicionais vendem mais na modalidade venda direta do que no varejo.

Emplacamentos em maio de 2026 | Gráfico evdrops com dados de Bright Consulting
Emplacamentos em maio de 2026 | Gráfico evdrops com dados de Bright Consulting
Emplacamentos em maio de 2026 | Gráfico evdrops com dados de Bright Consulting
Emplacamentos em maio de 2026 | Gráfico evdrops com dados de Bright Consulting

Fora um possível maior conservadorismo por parte das empresas, uma razão para a manutenção do status nesse segmento é que cerca de metade dessas vendas se destina a locadoras.

Locadoras têm diversas razões para insistir na combustão interna. Elas ficam com carros por pouco tempo e não pagam o próprio combustível, não vendo assim a mesma economia que o consumidor comum vê em combustíveis e manutenção. Além disso, muitas de suas locações são para viagens, nas quais, compreensivelmente, o consumidor pode preferir combustão (ou ao menos híbridos) por conta da facilidade de abastecimento.

Para terminar, vamos lembrar que o varejo não é simplesmente um retrato dos desejos do consumidor comum: ele representa os desejos do consumidor de carro zero. Muitas pessoas preferem (ou só podem) pegar carros seminovos, um mercado que é alimentado principalmente pelas locadoras. Com isso, esses carros todos no topo da lista geral irão parar nas mãos de pessoas físicas um dia.

Ainda assim, é uma enorme surpresa ter elétricos puros ocupando as três primeiras posições entre os carros zero mais vendidos entre pessoas físicas, culminando de uma tendência que se mantém por meses.

Via BYD, ABVE e Bright Consulting