O milionésimo Dolphin Mini saindo da linha de produção em 2025
O milionésimo Dolphin Mini saindo da linha de produção em 2025 | BYD / Divulgação

O anúncio grandiloquente da BYD de ser a maior montadora do Brasil parece cada dia menos grandiloquente: nas vendas de abril de 2025, ela superou a Volkswagen, emplacando 14.911 unidades, contra 14.832 da montadora alemã que está no Brasil desde o último governo de Getúlio Vargas.

Os números vêm da própria BYD – os totais da ABVE e da Fenabrave, que o evdrops costuma usar como fontes definitivas, ainda não foram compilados. Mas são confirmados pelo levantamento mensal da Bright Consulting (que marcou até um pouquinho mais, 14.915 unidades para a BYD e 14.837 para a VW).

No total geral – o que inclui aí vendas diretas, que ocorrem para principalmente para empresas, e também produtores rurais, taxistas e pessoas com deficiência – nem a BYD nem a VW dominam. Aí impera a FIAT, com 43.132 unidades emplacadas em abril.

MarcaVarejoVenda DiretaTotal% Direta
BYD1491535421845719,2%
VW14837240673890461,9%
FIAT13879317524563169,6%
GM10074148962497059,7%
TOYOTA992846721460032,0%
Emplacamentos em abril de 2026 | Bright Consulting

A promessa da BYD é superar as outras no geral, mas aqui há certo tipo de resistência do setor empresarial, e, talvez mais ainda, das locadoras de veículos, que são cerca de metade das vendas diretas. Locadoras têm prioridades muito diferentes de clientes comuns: elas compram carros para revender rapidamente, transferem para o cliente a conta de combustível, e geralmente alugam para pessoas que querem viajar, e podem se sentir inseguras em pegar um elétrico para isso.

Segundo o levantamento da Bright, aliás, o mês foi de queda de 8,7% em relação a março, algo atribuído a dias úteis a menos. Mas tanto a VW quanto a BYD conseguiram crescer sua participação nesse cenário: 0,2% e 1,5% respectivamente.

Eletrificados são agora 17,7% do mercado brasileiro e BEVs são a categoria mais popular entre eles, com 41,2% do subtotal. Seu total de emplacamentos, 41.791 unidades, é 190% maior que no ano passado.

O total de elétricos puros (BEVs) em abril foi de 17.195 unidades – esse número representa um explosivo aumento anual de 265% (ou 3,65 vezes) em comparação a abril de 2025, quando 4.702 elétricos puros foram emplacados. E, num mês de queda no geral, o total é 22% maior que os 14.073 registrados em março de 2026.

A estrela dos elétricos, o Dolphin Mini, vendeu um pouco menos em abril, com 6.873 unidades, versus 7.054 em março. Sua participação no mercado de BEVs foi 40%, caindo de 50,5% em março, indicando uma diversificação do setor e sua independência de um único modelo.

Nosso take

Vamos confessar aqui: a BYD superar a Volkswagen é algo que nem a gente esperava ver tão cedo.

Quando se observa o percentual de vendas diretas na tabela das montadoras acima, fica claro que as tradicionais (salvo a Toyota) se sustentam mais no mercado de frotas que no mercado consumidor. É um mercado mais conservador, mas que irá sucumbir um dia (e provavelmente em breve) à eletrificação porque o transporte comercial não é realmente exceção e a matemática irá se mostrar irresistível.

Outras fabricantes chinesas entraram meio que pisando em ovos, acreditando no discurso que etanol e infraestrutura tornariam o brasileiro alérgico à eletrificação. Não foi o caso da BYD, que oferece no máximo híbridos, e sempre plug-in. Parece que a aposta deles (e a nossa, de certa forma, em decidir cobrir só esse nicho) está se pagando.

Via BYD, Bright Consulting