
A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) publicou hoje um manifesto em relação ao incêndio que atingiu cerca de 15 carros elétricos ontem no Rio de Janeiro.
O acidente ocorreu no bairro do Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. Por volta das 9h do último domingo (14/06/2026), dois helicópteros colidiram no ar, matando todos os seus seis ocupantes, inclusive o cantor e comediante americano Oliver Tree, que tinha 32 anos.
Após a colisão, os helicópteros caíram sobre o pátio de uma concessionária da BYD. Um deles pegou fogo, que se alastrou para os carros elétricos e híbridos estacionados, causando a destruição de cerca de 15 deles. Segundo a apuração d’O Globo, pessoas afirmaram ter ouvido explosões após a queda, e o jornal cogitou se não poderia ter sido muito pior caso o incêndio de baterias tivesse se alastrado.
Em meio às investigações, a ABVE pede cautela. Esta é sua carta, assinada por Clemente Gauer, gerente da pasta de segurança da instituição.
À frente da pasta de Segurança da ABVE, manifesto nossa profunda solidariedade às famílias e aos amigos das vítimas deste terrível acidente. Nenhuma perda material se compara à perda de uma vida, e este deve ser sempre o primeiro ponto a ser reconhecido com respeito, empatia e responsabilidade.
Neste momento, ainda não há elementos suficientes para uma avaliação técnica conclusiva sobre a extensão dos danos aos veículos envolvidos ou sobre a dinâmica completa do incêndio. Pelas imagens e pela cobertura inicial da imprensa, observa-se que componentes das aeronaves foram projetados contra edificações vizinhas, compondo um cenário de alta complexidade operacional.
Durante o incêndio, também foram percebidos estampidos compatíveis com a atuação de Sistemas Suplementares de Retenção dos veículos, como airbags e pré-tensionadores dos cintos de segurança. Esses dispositivos podem produzir ruídos característicos quando submetidos a altas temperaturas ou quando acionados em situações extremas, e não devem ser confundidos, sem análise técnica, com outros tipos de explosão como por exemplo das baterias.
A ABVE também enaltece a atuação do CBMERJ, o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, que respondeu de forma rápida, técnica e eficaz a uma ocorrência complexa, envolvendo veículos elétricos, estruturas, componentes aeronáuticos e combustível de alta inflamabilidade. A ação demonstrou preparo, conhecimento operacional e alta capacidade de controle em um cenário de grande risco.
A ABVE permanece à disposição das autoridades e dos órgãos técnicos competentes para contribuir com informações, esclarecimentos e apoio técnico, sempre com responsabilidade, cautela e respeito às vítimas.
Nosso take
Como aconteceu com o recente incêndio numa garagem em Teresina, e como acontece com quase todo incêndio com carro elétrico, a reação da imprensa tende a puxar por certo pânico neofóbico. Incêndios de baterias de carros elétricos são reais, tóxicos, violentos e perigosos. Mas estudos mostram que as chances deles ocorrerem são bem menores que incêndios de veículos a combustão interna – falando em elétricos puros, já que híbridos têm gasolina ou etanol como qualquer carro comum.
O acidente no Rio é uma tragédia rara e extrema. Mesmo se de fato tenha havido um incêndio de bateria – e, caso não tenha havido, é realmente admirável, dada a gravidade de um acidente envolvendo combustível de aviação – isso não diz realmente muito sobre a segurança da tecnologia. A defesa da ABVE, num mundo ideal, nem seria necessária.
Não foi desta vez – felizmente – mas é uma inevitabilidade estatística: um dia haverá um incêndio de bateria com vítimas fatais no Brasil. E é quase certo que então a imprensa tradicional – talvez até a automotiva – se refestelará no pânico. Pânico, afinal, gera cliques.
Pessoas morrem todos os dias por incêndios em carros convencionais. Simplesmente é tão comum que nem chega a ser notícia.
Mas riscos são inevitáveis, e essa é a hora de lembrar que toda nova tecnologia os possui. Podem ser riscos menores em carros elétricos, mas são riscos novos, o que assusta.
Seres humanos adotam novas tecnologias, mesmo com os riscos, porque os benefícios os superam. Os próprios veículos motorizados, que causam mais de um milhão de mortes anuais pelo mundo, são um grande exemplo disso. No caso dos elétricos, além do mesmo benefício no transporte, ainda há o fato de salvarem vidas ao melhorar a qualidade do ar, e ajudarem a combater o aquecimento global.
DISCLAIMER: Clemente Gauer é também diretor da ABRAVEi, que é parceira estratégica do evdrops. Ele nos passou a carta diretamente.
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