Ferrari Luce, visão geral
Luce | Ferrari / Divulgação

Em sua estreia, a Ferrari Luce, primeiro automóvel 100% elétrico da história da fabricante italiana, basicamente quebrou a internet. O visual do modelo foi quase universalmente condenado (o “quase” fica por nossa conta, que somos do contra e gostamos), por abandonar as expectativas de como uma Ferrari deveria parecer.

No lugar de um cupê baixo, há um sedã elétrico grandão, para cinco pessoas e com um visual limpo, meio “Apple” – não por nada, um dos líderes de design foi Johnny Ive, ex-funcionário da maçã e um dos criadores do iPhone.

Nós não tivemos o privilégio de dirigir uma delas – isso fica para a realeza da imprensa automotiva (quem sabe um dia). Mas, com o fim do embargo de imprensa, podemos coletar algumas opiniões sobre o modelo “maldito” da Ferrari. E também responder a uma das mais importantes dúvidas: qual é o som que ela faz.

O som é importante porque, entre tantas coisas que a Luce faz de diferente, está amplificar o som natural de seu motor elétrico, num processo que a própria Ferrari comparou com uma guitarra. Enquanto outros fabricantes usam sons fictícios e pré-gravados, o som da Luce vem mesmo de seus quatro motores elétricos que ficam junto às rodas.

Sem mais delongas, o som, que isolamos do programa Top Gear e da Car Magazine (a realeza):

O que a imprensa achou da Luce

As primeiras avaliações da imprensa internacional indicam que o desempenho ao volante conseguiu conquistar o coração dos críticos, e alguns deles bem tradicionais.

Jornalistas que participaram dos primeiros test-drives afirmam que a Luce preserva a identidade dinâmica característica da Ferrari, oferecendo uma experiência de condução que lembra os modelos equipados com motores a combustão. Apesar de pesar cerca de 2.270 kg — praticamente uma tonelada a mais do que esportivos tradicionais da marca —, o modelo impressiona pelo equilíbrio em curvas, pela precisão da direção e pela capacidade de transmitir confiança mesmo em condução esportiva.

As primeiras avaliações da imprensa internacional reforçam essa percepção. Para Angus MacKenzie, editor da revista Car Magazine, a Luce tem melhor condução que o Purosangue. “Enquanto a maioria dos EVs poderosos parece estar perpetuamente em confronto com as leis da física, a Luce parece ser ligeira em seus pés, natural em suas respostas, concisa em mudanças de direção rápida e balanceada lindamente por todos os estágios de uma curva, da freada brusca até a aceleração total. A direção é leve e linear e o feedback vindo do volante é excelente.”

Jason Barlow, da Top Gear, notou a facilidade com que o esportivo entra em derrapagem de forma progressiva e controlável, resumindo a experiência em uma frase: “Ela desliza como uma Ferrari. Estou impressionado com o quão boa ela é.” As avaliações atribuem esse comportamento ao baixo centro de gravidade proporcionado pelas baterias, ao acerto refinado da suspensão e à distribuição de peso cuidadosamente desenvolvida pela fabricante italiana.

O som é um sucesso

Outro destaque apontado pelos especialistas é o trabalho realizado pela Ferrari para preservar a conexão emocional entre motorista e veículo – o som que abordamos acima. O resultado foi considerado natural e funcional, ajudando o condutor a perceber melhor aceleração, aderência e entrega de potência durante a condução esportiva.

As tradicionais borboletas atrás do volante também ganharam novas funções. Enquanto a alavanca esquerda permite ajustar os níveis de frenagem regenerativa, a direita modifica a entrega de torque dos motores elétricos. Na prática, o sistema cria uma experiência semelhante às trocas de marcha encontradas nos modelos da Ferrari equipados com motores a combustão, oferecendo maior interação entre motorista e veículo.

A Luce utiliza uma arquitetura elétrica de 800 volts, permitindo recargas ultrarrápidas de 10% a 80% em até 23 minutos. O conjunto mecânico entrega potência superior a 772 kW (1.050 cv), enquanto a autonomia é de 529 km no ciclo europeu WLTP. A Ferrari também desenvolveu um sistema próprio de gerenciamento térmico para garantir desempenho consistente mesmo em uso intenso em pistas.

Apesar das discussões sobre seu design, o sucesso comercial foi imediato. Segundo a Ferrari, as 500 unidades destinadas à produção de 2026 foram reservadas em menos de dois meses após a abertura dos pedidos, levando a marca a antecipar estudos para ampliar a capacidade de fabricação. O resultado demonstra que a demanda pelo primeiro elétrico da empresa superou as expectativas iniciais, mesmo diante da resistência de parte dos entusiastas.

No Brasil, a Ferrari Luce já teve sua chegada confirmada para 2027. O preço ainda não foi divulgado para o mercado brasileiro, mas, considerando o valor internacional superior a US$ 640 mil, além de impostos e custos de importação, a expectativa é que o esportivo elétrico figure entre os automóveis mais caros já vendidos oficialmente pela Ferrari no Brasil.

Via Car Magazine e Top Gear

Texto: Fábio Marton e Rafael Monteiro