
Em entrevista ao Carsales, o vice-presidente da Hyundai Europa, Raf van Nuffel, disse que mais modelos, e modelos mais básicos, irão receber o Modo N e-Shift, que simula os sons, marchas e comportamento de um modelo a combustão interna em carros elétricos.
“Nós realmente queremos ter uma experiência apropriada – não só o som, mas um pouco do impulso”, disse o executivo. “Isso não é algo que vamos limitar à linha N, mas teremos algumas exigências – precisamos de um nível mínimo de potência para criar essa sensação de troca de marchas. Não vamos oferecer isso para toda a linha, mas definitivamente vamos oferecer sem necessariamente ter que vir junto com 600 cavalos.”
Como funciona a simulação de combustão interna da Hyundai?
Disponível inicialmente no Ioniq 5 N (não confundir com Ioniq V), a novidade passadista fez literalmente barulho ano passado. Ela oferece três opções de sonorização: uma imitando um motor turbo, outra um som eletrônico, e uma terceira se fazendo de avião a jato.
O recurso vai bem além do som. Ele também transforma as borboletas de controle de freio regenerativo no volante em seletores de “marcha”, mostra um “conta-giros” no painel e até mesmo limita o comportamento do motor, impedindo o carro de acelerar até a próxima “marcha” ser “engatada”.
(Quantas aspas vamos precisar neste texto?)
Aqui é possível ver o limitador em ação:
Como o recurso não exige nenhum equipamento adicional nos carros – as borboletas já estão lá, e os carros já possuem um sistema de som externo para a proteção de pedestres – a novidade pode ser distribuída como uma atualização. O que já aconteceu, segundo a Carsales, com o Ioniq 9.

Nosso take
Esta pede um take porque a imprensa tradicional está fazendo zerinhos de celebração com o recurso.
A gente já fez brincadeira com o Ioniq 5 N, comparando ele ao Horsey Horseless, um projeto de automóvel do início do século 20, que tinha uma cabeça de cavalo para simular a “tecnologia” anterior.

Mas há um argumento sério feito pela Hyundai a respeito da mudança, que é o feedback ao motorista: as informações que o carro passa de forma não visual.
Por exemplo, até recentemente, houve a tendência de transformar todos os controles, um dia analógicos por necessidade, em versões virtuais dentro da central de mídia (a Tesla foi uma das maiores entusiastas). Mas não é porque algo pode ser feito que deva ser: não importa a tecnologia, o motorista tem que continuar olhando para o trânsito, não telas, e controles físicos ajudam com isso. Somos entusiastas do clic-clac e essa parecer ser a nova tendência.
Mas a novidade da Hyundai parece mais uma brincadeira inofensiva do que um recurso prático. Sem a evolução de rotações de um câmbio de carro a combustão interna, não há sentido nesse “feedback” em particular. E borboletas no volante já são a imitação de um câmbio manual, sem muita função prática.
Carro elétrico ter som é algo obrigatório na lei de vários países (não no Brasil). Por isso, todos eles possuem sons falsos de fábrica – com a diferença de serem ativados apenas em baixa velocidade. A maioria imita uma nave espacial (alguns parecem mais uma sanfona), mas qual som o carro faz é irrelevante. (Estamos, aliás, morrendo de curiosidade para saber o que será o som elétrico “natural” amplificado da Ferrari Luce.)
Mal não há em oferecer essa opção, mas limitar o comportamento do motor para simular marchas soa como uma diversão que o dono aceita até enjoar depois de 30 minutos e voltar a usar seu Hyundai como o que ele é: um carro elétrico.
Via Carsales