Ferrari Luce, vista superior
Vista superior, com portas abertas | Ferrari / Divulgação

O CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, defendeu o extremamente controverso lançamento da marca, seu primeiro elétrico e seu primeiro sedã, a Luce.

Segundo ele “Há um forte interesse, inclusive por parte de novos clientes”, conforme relatou em conversa com a agência Reuters. “Inclusive já recebemos transferências bancárias.”

A Luce foi apresentada num evento fechado em Roma na segunda-feira, que incluiu 1.600 possíveis compradores. De acordo com Vigna, quem viu de perto, se interessou.

“Os clientes que estiveram lá a querem. Se você a vir e testar, imediatamente irá entender que não foi copiada de nada e não tem nada em comum com outros EVs que você conhece e são produzidos por outros fabricantes, em termos de interior, exterior e performance.”

Ainda segundo o executivo, os números de vendas serão apresentados na próxima reunião para investidores da Ferrari, que acontecerá em julho.

O que deu errado com a Luce?

Quando a Luce foi revelada, não é exagero dizer que causou um choque. Houve uma tempestade de críticas e muito poucos elogios.

O ex-presidente da marca saiu da aposentadoria para dizer que deveriam arrancar o cavalinho. O CEO da Lamborghini se recusou a comentar diretamente, mas falou que inovação não deve ser “feita só pela inovação” ou “forçada no consumidor”, e disse que a sua marca estava certa em desistir do seu projeto elétrico puro.

As ações da Ferrari chegaram a cair 8% após o anúncio e ainda não se recuperaram:

Ações da Ferrari na semana de lançamento da Luce
Comportamento das ações da Ferrari nesta semana | Reprodução

E nem a gente reagiu bem. Chamamos de “concessão ao mundano”, porque definitivamente ela não parece ter, à primeira vista, e em fotos, aquele fator “fora deste mundo” (ao menos do meu mundo) das Ferraris clássicas. É afinal de contas um sedã de 5 lugares – uma Ferrari para levar a família.

Não é a primeira Ferrari com formato “mundano”: o crossover Purosangue também tem assentos traseiros. Mas tem mais “cara de Ferrari” que a Luce e não foi o projeto mais aguardado da marca em anos.

Como a Ferrari Luce se compara com a concorrência?

A gente* acabou mudando de ideia sobre o design, elogiando a ousadia da Ferrari em não fazer como todo mundo faz e copiar a própria Ferrari.

Mas ainda existe o fato de que a Ferrari tem um carro que não só não parece Ferrari, como não é seu modelo mais potente, nem é o supercarro elétrico mais potente. O BYD Yangwang U9 tem 1.288 cv, contra 1.050 da Luce, faz de 0 a 100 km/h em 2,36 segundos, versus 2,5, vai até 396 km/h, comparados aos “meros” 310 km/h da italiana. E custa, na Europa, € 250.000, versus € 550.000 da estreante.

(E estamos falando do U9 regular, não a versão Xtreme, que é possivelmente o carro mais rápido da história – mas uma edição especial, e bem mais caro que a Luce, a mais de 2 milhões de euros. Então aqui a comparação não seria justa.)

Até o Tesla Plaid S, que acaba de sair de linha, vencia a Luce em aceleração (0 a 100 km/h em 1,99 s), máxima (322 km/h), e custava € 121 mil.

De fato, como diz Vigna, ela não é como os produtos de outros fabricantes.

(*Por “a gente” leia apenas eu, o Fábio. O resto da redação continua odiando.)

Via Reuters