
Uma pesquisa da We Mean Business Coalition levantou que 77% dos altos executivos do Brasil afirmam que eletrificarão suas frotas até 2030 e 90% até 20235. Além disso, 96% dos consultados disseram que a eletrificação irá fazer suas empresas crescerem e 92%, que o processo as tornará mais competitivas.
A pesquisa Powering Up: Business Perspectives in Electrification (algo como “Ligando: Perspectivas de Negócios em Eletrificação”) ouviu 1.994 executivos em cargos de liderança (CEOs, presidentes, vice-presidentes, etc.) em 18 países. Apenas empresas com renda bruta de mais de US$ 1 milhão por ano foram qualificadas, e 66% das respondentes têm renda acima de US$ 10 milhões, com 66% também possuindo mais de 250 funcionários. No total, 105 executivos brasileiros foram ouvidos.
Segundo a WMBC, a margem de erro é de 9,8 pontos percentuais, para cima ou para baixo – no caso do Brasil, a margem de erro para cima seria impossível, pois passaria de 100%.
Puxões de orelha no governo
Entre os países pesquisados, o Brasil se qualifica na sexta posição sobre acreditar que a eletrificação tornará as empresas mais competitivas (Filipinas, Nigéria, Indonésia, Quênia, Colômbia e Turquia ficam adiante). O número é maior que o de empresários chineses que concordam (91%).

O levantamento também avaliou a situação no Brasil, e criticou que as metas no Plano Clima prevejam aumento de consumo de combustíveis fósseis (algo que a gente já havia notado). Segundo os especialistas, sem um sinal forte do governo, setores como cimento, aço e a indústria química têm muito pouco incentivo para fazerem uma transição energética.
E os executivos brasileiros concordam. 75% deles disseram que as mudanças constantes nas políticas governamentais no Brasil são um empecilho para seus planos de eletrificação, e 78%, que o governo não está acompanhando a velocidade das mudanças.
Como citamos no começo, 90% dos executivos brasileiros ainda dizem que eletrificarão totalmente suas frotas até 2035, e 77% dizem que farão isso antes de 2030. Incluídos nesses números há 6% que afirmam que já eletrificaram.

E, da situação atual, 74% dos executivos ainda disseram que o Brasil depende demais de importações de petróleo e 84% disseram que, por conta das tensões geopolíticas recentes, a eletrificação se tornou mais urgente.
Mesmo com tanta empolgação, em relação ao que realmente vai acontecer, os brasileiros não são otimistas: o número dos que acreditam que o país se eletrificará até 2030 é de 59%, o que nos coloca na 16ª colocação entre os 18 países, acima apenas da Coreia do Sul (55%) e Japão (54%), e atrás dos Estados Unidos (onde 64% dizem que seu país será eletrificado).
Veja o documento completo aqui.
Nosso take
Dá pra dizer que, mais do que apenas reconhecedores da importância da eletrificação, os altos executivos brasileiros são verdadeiros entusiastas do processo. O que torna um mistério o fato de as vendas de veículos elétricos comerciais e de automóveis para pessoas jurídicas serem ainda quase irrelevantes no Brasil.
Ou nem tanto: falamos apenas de grandes empresas. Essas empresas não necessariamente têm grandes frotas. Um banco com 500 veículos é um balde d’água no oceano diante de cinco milhões de produtores rurais (censo da Embrapa).
Na percepção mais ampla, como cobrimos antes, o empresariado ainda não parece totalmente convencido a respeito de seu investimento fechar no azul ao fim da vida útil do veículo. Ainda que o mercado de usados elétricos esteja num momento altamente favorável, há a ideia de que a evolução tecnológica possa significar a desvalorização rápida no futuro.
Mas as opiniões coletadas pela WMBC têm um significado importante: eles apontam para uma possível mudança, talvez começando por cima. A explosão de vendas que está acontecendo com pessoas físicas eventualmente irá alcançar as pessoas jurídicas.
Deixe um comentário