Após meses de antecipação e detalhes intencionalmente vazados, a Ferrari Luce foi lançada hoje. É o primeiro modelo elétrico puro da marca, e provavelmente vai gerar muitas reações, positivas e negativas.

Antes de continuarmos, tome um momento e role a galeria acima. Absorva a informação e mantenha ela em sua mente para o que vem.

A primeira coisa é o que ela não é: um coupé baixo de 2 lugares como os modelos que fizeram o nome da Ferrari. Está mais para um Urus, uma concessão à realidade mundana. No lugar de um SUV como esse, temos um sedã alto de 4 lugares e 4 portas. A Ferrari define isso como “uma câmara de vidro sem concessões, em forma de concha. Asas aerodinâmicas na frente e atrás conduzem à performance aerodinâmica”.

Obviamente, não é qualquer sedã. O carro tem 4 motores, um para cada roda, cada qual com uma suspensão ativa e direção integral (as rodas traseiras também se movem para curvas). Eles produzem até 772 kW (1050 cv), permitindo que ele vá de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, e de 0 a 200 em 6,8 segundos.

A bateria é de 122 kWh, permitindo um alcance de 530 km (WLTP), podendo ser carregada com respeitáveis, mas não estupefacientes, 350 kW. Com esse tanto de bateria (quase empatando com o SUV de três fileiras BYD Great Tang, que tem mais de 900 km de alcance), é a Ferrari mais pesada já lançada, levando 2.260 kg vazia.

Como já havia sido anunciado anteriormente, a Luce vem com um sistema de som do motor, que não tenta imitar um motor a combustão interna. No lugar disso, a Ferrari instalou sensores no motor elétrico que ampliam suas vibrações naturais, “de forma similar a um amplificador de guitarra elétrica”. E essa vamos ter que ficar devendo: por algum motivo, e para nossa grande frustração, a Ferrari omitiu esse som no material de revelação.

“Retronovidades” bem vindas e o futuro da Ferrari

Fora o som, a Ferrari tem mais algumas “retronovidades”: o interior faz uso de muitos controles “analógicos”, como chaves e dials. Não são realmente analógicos no sentido de funcionarem mecanicamente, mas simulam a sensação tátil dos controles antigos – o que é uma coisa positiva, e até recurso de segurança, porque a pessoa não precisa olhar para telas para dirigir. Há ainda um sistema de som com ensurdecedores 3.000 W.

E também meio retrô é o que a Ferrari chama de Torque Shift (algo como “marchas de torque”), que é um simulador de marchas por uma borboleta no volante, com outra borboleta controlando o freio.

Na parte exterior, o vidro citado pode ter ser tornado escuro ou transparente via controles. O modelo será ofertado em cinco opções de cores: Azzurro la Plata (azul), Giallo Luce (amarelo), Rosso Dino (vermelho alaranjado), Bianco Artico (branco), and Rosso Fiammante (vermelho clássico Ferrari).

“Acreditamos que uma empresa demonstra sua liderança quando ela tem a coragem de ousar e tomar para si o desafio de novas tecnologias”, afirma o CEO da Ferrari, Benedetto Vigna. “Nunca antes oferecemos a nossos clientes tanta liberdade de escolha. Em linha com nossa filosofia de neutralidade tecnológica, somos os primeiros do mundo arquiteturas puramente elétricas, híbridas e a combustão em carros esportivos. Não nos limitamos à inovação em powertrain: com o Luce, estamos lançando um novo segmento na nossa linha.”

Via Ferrari