Maurício Barros em sua viagem pela América do Sul
Cena da primeira viagem pela América do Sul | Arquivo Pessoal

Quem tem medo de falta de infraestrutura? Ele quer cruzar todo o Brasil, do Chuí ao Oiapoque, com um carro elétrico. Mas, para isso acontecer, ainda falta um detalhe crucial: o carro.

O empresário Maurício Barros começou a viajar cedo. “15 dias depois de completar 18 anos, já peguei minha carteira e estava viajando de moto, minha CG 125”, afirma ao evdrops. Da moto, ele evoluiu eventualmente para o carro, e do carro, para o carro elétrico.

Hoje um diretor da ABRAVEi, o empresário do ramo de informática transformou sua obsessão em uma aventura de 18.233 km pela América Latina, em 39 dias, cruzando a cordilheira dos Andes e passando por 6 países. A façanha, com o recorde não oficial de maior viagem de carro elétrico pelo subcontinente, ficou registrada no seu perfil do Instagram @fuideeletrico.

Mas a aventura não veio do nada. A ideia começou quando Maurício comprou seu primeiro carro elétrico, há 4 anos e meio. “O meu primeiro carro elétrico foi um Peugeot 208”, afirma. “Esse carro tinha uma autonomia um pouco baixa, chegava a 250 km mais ou menos. E eu comecei a fazer pequenas viagens e tal, e fui para o Rio Grande do Sul, Gramado, Canela, Bento Gonçalves e sempre rodando essa região. Aí tive a ideia de ir até Buenos Aires com ele.”

Em sua viagem pelo subcontinente, o empresário foi com um BYD Yuan Plus usado, com mais de 160 mil quilômetros no odômetro. Para cruzar o Brasil, vai ser preciso outro carro, e a viagem é bem mais ambiciosa.

Ainda que se restrinja desta vez ao Brasil, a nova viagem é mais ousada: o aventureiro quer percorrer ainda maior distância, de 23 mil quilômetros: mais do que meia volta ao mundo. A viagem vai cobrir do Oiapoque ao Chuí (ainda que na verdade seja a ordem inversa, do Chuí ao Oiapoque), passando por todas as capitais do país.

O trajeto irá incluir trechos por ferry boat na Amazônia, onde a viagem de carro é impossível, mas também vai fazer o quase impossível: uma passagem pela temida BR-319, a Rodovia Manaus-Porto Velho. Essa estrada tem um longo trecho sem asfalto, que fica por vezes intransitável, e quase nenhuma infraestrutura.

(A BR-319 está sendo asfaltada neste momento, com muita controvérsia envolvendo a possível destruição da floresta com a facilidade de acesso.)

Cruzar o Brasil depois da América do Sul

Para entender essa confiança toda, dá para lembrar da viagem do ano passado, que obviamente não foi sem dificuldades. Ele cita um exemplo: “Antes de passar pelo Peru, fiz alguns estudos e vi muita inauguração de eletropostos. Vai o político, vai o governador, vai não sei quem… todo mundo faz aquela filmagem e foto. Fui nesses carregadores. A maioria estava desligada. Ninguém cuida.”

“E teve um carregador rápido, o primeiro no qual parei no Peru”, continua. “Não tinha aplicativo. Você colocava para carregar, a menina vinha, tirava uma foto do contador de kilowatts. Fiquei mais tempo esperando eles saberem como me cobrar do que efetivamente carregando.”

Segundo o empresário, a salvação estava em hotéis. Mas os funcionários frequentemente não sabiam que é possível carregar em qualquer tomada com um adaptador, então às vezes negavam a entrada. Mas, carregando primeiro e avisando depois em alguns casos, ele foi capaz de fazer todo o caminho de volta, pingando de 300 em 300 quilômetros. O que, no caminho da descida para o Brasil, é algo que leva um dia inteiro, segundo ele.

A nova aventura está no impasse de encontrar o veículo para realizá-la. Segundo Maurício, houve conversas com montadoras, mas acabaram estacionadas. Ele tem um palpite do porquê da hesitação: “Eles têm medo de que, durante a viagem, dê algum problema com o carro e isso gere uma publicidade negativa.”

“Eu tenho certeza que não vai acontecer nada com o carro, mas eles mesmos não confiam no próprio equipamento… aí fica difícil, né?”

DISCLAIMER: Maurício Barros é diretor da ABRAVEi, que é parceira estratégica do evdrops.