
A ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) acaba de atualizar seus dados sobre o abastecimento de carros elétricos no Brasil e constatou um rápido avanço na infraestrutura de carregamento. Entre março e maio, o número de carregadores rápidos (DC) no país saltou 33%.
A última versão havia sido publicada em março, quando foi constatado que o Brasil possuía 21.061 pontos de carregamento públicos e semipúblicos, dos quais 6.479 eram rápidos. De acordo com novos dados, agora temos 25.429 pontos, com os carregadores DC sendo 8.601. Os carregadores lentos (AC) também cresceram, mas a menos da metade da velocidade: 15,4%.
Segundo dados da ABVE, nos mesmos 3 meses, 172.635 eletrificados plug-in entraram na frota, dos quais 90.326 são elétricos puros (BEV) e o resto são híbridos plug-in (PHEV). A distinção é relevante porque híbridos plug-in nem sempre conseguem fazer uso do carregamento rápido. Em maio, a frota total de veículos plug-in total chegou a 505.806, enquanto elétricos puros estavam em 239.054.
Em fevereiro, a frota total era de 411.869 veículos. Então, houve um crescimento de 23% – o que significa que os carregadores avançaram mais rápido que os carros.
Considerando todos os modelos plug-in, temos 1 carregador para cada 19,9 carros. Se a conta for apenas elétricos puros versus carregadores rápidos, teríamos aí 1 ponto para cada 27 carros.
Não é um número ruim: num compilado publicado no site Visual Capitalist, com dados da consultoria Benchmark Mineral Intelligence, ficamos quase empatados com a Alemanha, que tem 19 carros por carregador. 25% dos pontos da Alemanha são rápidos, enquanto aqui são 34%.
“Dois movimentos definem este trimestre”, analisa Davi Bertoncello, diretor executivo da Tupi e diretor de Comunicação da ABVE. “Os carregadores lentos (AC), que vinham em baixa, reagiram e a regulamentação de São Paulo, garantindo recarga em condomínios, tem papel direto nisso. E o crescimento dos Carregadores Rápidos (DC) começa a ser puxado por uma nova geração de carregadores ultrarrápidos com potências que hoje chegam a 480 kW e muitas vezes com quatro a dez posições de recarga. O Brasil saiu da fase de teste e entrou na fase de escala — estamos construindo a infraestrutura energética que vai sustentar a eletrificação do país.”
Desigualdade regional
O diabo, porém, mora nos detalhes: apenas 1.788 municípios brasileiros possuem qualquer tipo de carregador, um número que avançou mais devagar que o total dos carregadores, 8,4% desde fevereiro. O Brasil tem 5.569 municípios. Assim, 68% dos municípios brasileiros têm zero infraestrutura.
Esaá é a distribuição por região brasileira:
| Região | Municípios | Com infra | % |
|---|---|---|---|
| Norte | 450 | 88 | 19,56% |
| Nordeste | 1.794 | 452 | 25,20% |
| Centro-Oeste | 467 | 166 | 35,55% |
| Sul | 1.191 | 451 | 37,87% |
| Sudeste | 1.668 | 631 | 37,83% |
| Total | 5.570 | 1.788 | 32,10% |
Pelo lado positivo – algo que foi notado pela ABVE – a região mais desamparada, a Norte, foi a que teve o maior aumento de carregadores rápidos: 51%.
Seguem-se a Centro-Oeste (36,3%), a Sul (35,8%), e a Nordeste (33,7%). A região Sudeste, mais bem atendida em números absolutos, fica atrás de todo mundo, mas com expansão da infraestrutura ainda assim acima do crescimento da frota: 25,7%.
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