Console central de um carro
Painel de controle | Getty Images

Confirmando uma regulamentação que começou a ser estudada em fevereiro, esta semana a China publicou uma série de novas normas de trânsito exigindo controles físicos para todos os novos carros (sejam ou não elétricos).

Quando a nova regra começar a valer, novos modelos chineses serão obrigados a usar esse tipo de controle – e não controles na tela – para diversas funções fundamentais. São elas:

  • Setas;
  • Desembaçador dianteiro e traseiro;
  • Pisca-alerta;
  • Buzina;
  • Ativação da assistência de direção;
  • Seleção de marchas;
  • Limpadores de para-brisas;
  • Controle das janelas;
  • Sistema de chamadas de emergência;
  • Chave universal de desligamento.

Controles físicos nos carros: questão de segurança

A lista é composta por equipamentos de uso constante ou ligados a funções de segurança. A razão para essas exigências é evitar que o motorista tenha que ficar olhando para a tela para acessar funções normais do carro durante a direção, o que causa o risco de acidentes por não olhar para a estrada. Num espírito semelhante, a China já obrigou carros a terem maçanetas físicas para as portas, depois de um acidente fatal envolvendo um modelo da Xiaomi sem elas.

Uma das maiores criadoras da tendência que a lei tenta combater foi a Tesla. Seguindo sua filosofia de design minimalista, quase todos os controles foram parar na tela, como as marchas e limpadores de para-brisas. Outros fabricantes seguiram a onda não necessariamente porque os consumidores aprovaram, mas porque é mais conveniente usar a tela do que planejar um painel físico complexo e instalar todos os componentes necessários.

A tendência de design atual é fazer exatamente como a lei chinesa e retomar os controles físicos para múltiplas funções: essa foi a filosofia dos controles da Ferrari Luce – uma parte que não foi criticada, bem diferente do design externo. E também a promessa básica da nova marca da Volkswagen, a Scout Motors.

Não basta ser botão

Para quem já usa carros chineses, a lista pode parecer óbvia, já que a maioria desses controles já está fora da tela. Mas não necessariamente eles têm os requerimentos específicos da nova norma: não basta serem botões ou chaves. Os controles devem ter um tamanho mínimo de 1 cm² e terem feedback auditivo e háptico – isto é, precisam indicar que foram ativados, fazendo “clic” e reagindo fisicamente. Botões eletrônicos simples, que não clicam nem deixam claro se foram clicados, não contam.

A norma é a provavelmente a razão por que a BYD trocou nos modelos deste ano a seleção de marchas de botões (sem feedback) no painel central para uma chave na coluna do volante, como caminhonetes dos EUA.

As mudanças passam a ser obrigatórias a partir de julho de 2027.

Nosso take

A gente já comentou diversas vezes apoiando a ideia, e outros países deveriam seguir o exemplo da China. O motorista precisa olhar para a estrada, não ficar clicando em menus – isso é quase tão ruim quanto usar um celular no trânsito. E a lei chinesa é até pouco ambiciosa ao não incluir controles de iluminação e ar condicionado, que são frequentemente acionados em trânsito.

Via Electrek