
Como parte de seu novo Plano de 5 anos, a província de Hainan anunciou que irá banir as vendas de veículos a combustão interna partir de 2030. A medida inclui híbridos plug-in, mas exclui maquinário pesado, e é a primeira do tipo na China.
Ponto extremo sul da China, a província consiste em Hainan, uma grande ilha de 35.191 km² e mais o arquipélago no entorno. A ilha principal é cortada por uma estrada de 613 km de norte a sul, e é maior que o estado do Alagoas.
Com clima tropical, Hainan é um dos maiores pontos para o turismo interno na China. A população é de pouco mais de 10 milhões de habitantes – o que a coloca em 28º lugar entre as 33 províncias e divisões regionais do país. Ocupando esse papel de “paraíso tropical”, a província tem políticas ambientais mais fortes que o resto do país: o nome do plano é “Zona Piloto Nacional para a Civilização Ecológica”.
Dentro na China, Hainan é a província com o maior fatia de mercado de EVs: num levantamento de 2025, ela tinha 65% de vendas de veículos de novas energias (NEVs) enquanto o resto do país ainda marcava 44,9% (a China fechou 2025 com mais de 50% de NEVs).
A província também pretende criar outros incentivos para acelerar a transição, como privilégios de estacionamento e faixas exclusivas, e garantir que a proporção entre carregadores e veículos seja de 2,5 veículos por carregador. A meta é que 45% da frota seja elétrica até 2030.
Retrocesso na Europa
Em contraste à iniciativa chinesa que, como o nome indica, é um piloto para o resto do país, a União Europeia partiu na frente, mas deu passos atrás. Em 2023, foi aprovada uma norma prevendo a proibição de vendas de veículos com quaisquer emissões após 2035. Como apenas elétricos puros têm emissões zero, a regra previa na prática o banimento da combustão interna.
No fim do ano passado, cedendo à pressão das montadoras, a Comissão Europeia propôs mudar a regra para 90% de redução nas emissões, abrindo espaço para híbridos e combustíveis alternativos. Entidades e empresas como a Volvo se manifestaram contra. Com a crise no Estreito de Ormuz, a proposta original voltou a ganhar apoio. Os países membros ainda estão estudando a proposta, sem uma data de votação definida.
Em junho, a China vendeu 62% de veículos de novas energias, cerca de 2/3 sendo elétricos puros. O país começou a diminuir seus incentivos, começando por carros mais pesados, num processo semelhante ao que está fazendo a Noruega, que declarou “missão cumprida” quando a participação do mercado ultrapassou 98%.
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