
A informação é da agência Reuters: em uma reunião de ministros do clima da União Europeia em Luxemburgo, o comissário do clima da Comissão Europeia, Wopke Hoekstra, afirmou que o atual aumento “espetacular” das vendas de carros elétricos no continente enfraquece a pressão política para reverter o banimento previsto da combustão interna para 2035.
O banimento, votado em fevereiro de 2023, não menciona realmente combustão interna, mas diz que todos os carros novos na União Europeia precisam ter emissões zero em 2035. Como nenhum carro a combustão interna (não, nem a etanol) tem zero emissões, a regra significa na prática um banimento dessa tecnologia.
Principalmente a Alemanha, que é a maior economia e maior mercado automotivo da UE, tem feito pressão contra essa decisão, alegando que ela pode causar desemprego em sua indústria, que está em crise – ontem mesmo, saiu a notícia de que a Volkswagen tem planos de cortar até 100 mil empregos mundialmente. A Itália, com sua indústria mais que tradicional, também está na batalha para manter a combustão interna.
Cedendo a esses pedidos, em dezembro, a Comissão Europeia propôs mudar a regra para um corte de 90% de emissões, permitindo que ao menos híbridos continuem a ser criados. Mas essa regra ainda não foi a votação.
Obrigado Trump?
“Os números são realmente espetaculares”, afirmou Hoekstra aos presentes antes da reunião. “As vendas de veículos elétricos, particularmente nos três maiores mercados [Alemanha, França e Itália], mas também em usados, são definitivamente muito impressionantes.”
Diante disso, o comissário afirmou que a pressão contra a proposta atual está diminuindo: “De fato, alguns, tanto [representantes dos] Estados-membros quanto [membros d’] o Parlamento Europeu, têm dito: ‘Isso não é um sinal que o status quo é bom o suficiente?’.”
A Guerra do Irã e a instabilidade de preços no petróleo causada pelo choque de suprimento que ela causou levaram muitos europeus a reconsiderarem sua fidelidade à combustão interna, com um aumento de 50% nas vendas. Dados do ICCT citados pela Reuters mostram que as vendas de EVs subiram 93% na França e 85% na Itália.
Segundo diplomatas ouvidos pela Reuters, os países estão divididos. Alguns gostariam de amenizar a proposta atual de mudança, outros gostariam de abrandar ainda mais as regras.
A conversa é muito parecida com o que se ouve no Brasil: não se fixar numa só tecnologia (a que funciona).
“Ter uma estratégia europeia focada em uma tecnologia irá nos pôr em risco no futuro”, afirmou a ministra do meio ambiente da Itália, Vannia Gava, durante a reunião. Como no Brasil, sua alternativa é biocombustíveis. Já a França e a Suécia defenderam o banimento, dizendo que a mudança nas regras pode atrair investimentos urgentes que os fabricantes europeus precisam para se manter competitivos no mercado de EVs. Mudar a política seria um “terrível sinal” para essa indústria, segundo a ministra do clima francesa, Monique Barbut.
Via Reuters
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