Europa à noite do espaço
Europa do espaço | Hartono Creative Studio / Unsplash

Com a crise no Estreito de Ormuz causando o maior aumento no preço do petróleo visto desde o começo da guerra da Ucrânia, os consumidores pelo mundo têm visto nela um impulso para a eletrificação, e isso se refletiu na venda de carros elétricos na Europa.

Segundo um estudo publicado hoje pela associação E-Mobility Europe com a consultoria britânica New Automotive, os emplacamentos de elétricos puros (BEVs) na Europa subiram 51,3% em março deste ano comparado a março de 2025, chegando a 240 mil unidades.

O estudo mediu 15 países na União Europeia e também na Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA, grupo que inclui a Noruega, Suíça e Islândia). No primeiro trimestre, isso representa um aumento de 33,5% em comparação ao período anterior. Apenas em março, 51%. Na região como um todo, a participação de mercado dos BEVs agora é 22%.

Os resultados variam entre países. A Itália teve 65% de aumento nos registros, chegando a 8,6% de participação de mercado. A Alemanha marcou um aumento de 42%. A França cresceu 50% e sua participação de BEVs é a maior entre as maiores economias da Europa, chegando a 28% dos novos veículos vendidos.

Como era de se esperar, países nórdicos seguem entre os campeões, com a Dinamarca marcando 76,6% de carros elétricos, a Finlândia, 50%, e a Noruega mantendo a dianteira mundial, com 98,4%.

“Esses números contam uma história que é maior que o mercado de automóveis”, afirma Ben Nelmes, CEO da New Automotive. “Cada veículo elétrico registrado significa que a Europa se torna menos dependente do petróleo importado. Numa época em que a segurança energética foi alçada ao topo da agenda política, a transição para EVs está entregando resiliência real e mensurável. O ritmo das mudanças que estamos vendo agora nos maiores mercados europeus – inclusive países como Itália e Polônia, que foram mais devagar no início – sugere que a transição entrou numa nova fase.”

Enquanto isso, nos EUA…

Nos Estados Unidos, segundo a Cox Automotive, as vendas de EVs caíram 27% no primeiro trimestre, registrando 216.399 emplacamentos. A participação de mercado nos EUA agora é de 5,8%.

Os EUA são o país onde não apenas os incentivos para EVs foram cancelados, como o governo federal basicamente abdicou de sua capacidade de controlar emissões de gases estufa, e está até mesmo processando estados que tentam manter suas leis locais.

Vendas de elétricos sobem na Europa, mas e no Brasil?

O Brasil apresentou números espetaculares de crescimento no primeiro trimestre, e particularmente em março. Segundo os dados da ABVE e Fenabrave, os elétricos puros subiram incríveis 192% entre março de 2025 e março de 2026. No primeiro trimestre, foram 31.026 emplacamentos, contra 12.993 em 2025 – um aumento de 138%. A participação de mercado em março foi de 6,7% – maior do que nos EUA, portanto.

A Webmotors também registrou um aumento de 48% nas buscas por EVs novos e 23% em usados no mesmo período.

Por aqui, tanto a ABVE quanto a Anfavea não viram uma influência da crise no petróleo, preferindo explicar o sucesso como fatores locais. A ABVE falou na lei dos carregadores em condomínios, enquanto a Anfavea falou (em resposta ao evdrops numa coletiva de imprensa) sobre a consolidação de uma tendência.

Recentemente, um estudo na América Latina revelou que a combinação de eletricidade barata e combustíveis caros fazem com que rodar um elétrico no Brasil seja 4 vezes mais barato do que um carro a combustão. Esse geralmente é considerado o fator mais definitivo na adoção no Brasil.

Via E-Mobility Europe, Cox Automotive, Fenabrave