
O think tank ambiental alemão Agora Verkehrswende publicou um estudo sobre a economia da eletrificação na América Latina e conclui que, com raras exceções, a região é privilegiada e tem uma enorme vantagem em adotar veículos elétricos quando comparada ao resto do mundo.
O Brasil foi um dos países abordados, e o estudo descobriu que, aqui, o custo de usar um carro a combustão interna – e o estudo levou em conta os biocombustíveis – é 4,1 vezes maior do que o de usar veículos elétricos. Para comparação, nos EUA, a vantagem é de cerca de 2 vezes.
Um continente elétrico

E o Brasil não é o campeão do subcontinente: no Paraguai, a proporção é 9,3 vezes, o que é atribuído à segurança energética que o país tem com sua sociedade com o Brasil na Usina de Itaipu, baixando os preços. Cuba foi campeã absoluta, com elétricos se mostrando 42 vezes mais econômicos que gasolina. Aqui, segundo o AV, é por conta dos grandes subsídios do país aos custos de eletricidade, além das consequências do bloqueio imposto pelos EUA.
Outra anomalia é a Venezuela, pelo motivo oposto: lá a gasolina é extremamente barata, por iniciativa do governo, e é o único caso em que ter um EV é mais caro.
Em geral, a América Latina como um todo é considerada privilegiada no mundo, com uma participação de renováveis na matriz elétrica de 62%, mais que o dobro da média mundial. Os valores da eletricidade na região variam entre US$ 0,02 e US$ 0,16 por kWh, com a curva da vantagem por país seguindo basicamente a dos preços de eletricidade regional.

“Dirigir 100 km em um carro convencional a gasolina tipicamente custa mais que três vezes mais do que viajar a mesma distância num veículo elétrico”, conclui o estudo. “Essa diferença é explicada pela maior eficiência de motorização elétrica, que requer substancialmente menos energia para mover um carro que motores a combustão interna. Combinado com os custos de eletricidade geralmente favoráveis em muitos países, isso cria uma vantagem forte e consistente para a mobilidade elétrica por toda a região.”
A informação é particularmente relevante no Brasil porque o país já tem contratos para exportar veículos elétricos para o resto da região. México e Argentina encomendaram 100 mil carros elétricos à BYD do Brasil, que serão produzidos na sua planta na Bahia.