Imagem de caminhonete emitindo fumaça no modo Rolling Coal
Rolling Coal | Ohio Coal Rollers / Reprodução

As vendas de veículos elétricos estão crescendo no mundo, mas não de uma forma planificada. Em julho de 2026, as vendas globais de veículos elétricos cresceram 9% em relação ao ano anterior, totalizando cerca de 1,85 milhão de unidades. No acumulado de janeiro a julho, foram 11,5 milhões de veículos vendidos, alta de 4%. Os dados são da Benchmark Mineral Intelligence e consideram elétricos a bateria (BEV) e híbridos plug-in (PHEV).

Os números, porém, se tornam mais complexos quando olhamos os resultados de cada região. Na Europa, tudo vai bem. O continente se destacou como o principal motor de expansão, com alta de 33% em julho e 28% no acumulado do ano. França, Alemanha e Reino Unido puxaram o resultado, em parte graças à retomada ou ampliação de incentivos governamentais. A França, por exemplo, registrou crescimento de 81% e chegou a uma participação de 37% para os elétricos.

Por outro lado, a América do Norte registrou queda de 27%, refletindo diretamente as decisões do governo Donald Trump — leia-se o fim do crédito fiscal federal para veículos elétricos nos EUA. Em julho, foram 140 mil unidades vendidas na região, enquanto o acumulado de 2026 caiu 18%. Nos Estados Unidos, a queda mensal passou de 30%.

Já na Ásia, pioneira do setor, as notícias exigem interpretação. A China apresentou recuo geral de 5% em julho, mas esse número esconde uma tendência positiva: as vendas de veículos puramente elétricos (BEVs) subiram 6%, enquanto híbridos plug-in caíram 21,1% e modelos de autonomia estendida recuaram 16,5%. E os carros a combustão tiveram queda muito mais forte, de 44%. Ou seja, o mercado chinês está vendendo menos veículos eletrificados no conjunto, mas os elétricos puros continuam avançando.

O Brasil puxa as vendas da América Latina

Na América Latina, os números dos carros elétricos são bons, basicamente, por causa do Brasil. No segundo trimestre de 2026, de acordo com números levantados pelo Zero Emissions Observatory for Latin America (ZEMO), o país respondeu por aproximadamente dois terços do crescimento das vendas de veículos elétricos e híbridos plug-in (BEV e PHEV) no continente.

Enquanto as vendas regionais cresceram 137% em relação ao mesmo período de 2025, o Brasil contribuiu com aproximadamente 66,7 mil das 108 mil unidades adicionais. O crescimento foi especialmente forte entre os elétricos a bateria, que avançaram mais que os híbridos plug-in na região.

Em números absolutos, o Brasil lidera com folga, registrando 107.344 vendas no trimestre, contra 28.427 do México, segundo colocado. O país encerrou o período com participação de 13,5% dos plug-in no mercado local, acima da média regional de 10,7%. Embora países menores como Uruguai (40,6%), Costa Rica (21,8%) e Colômbia (20,6%) tenham penetração percentual maior, é no Brasil que os avanços ganham escala significativa.

E a tendência não ficou restrita ao segundo trimestre. Em julho, os eletrificados representaram 23,3% dos 264.775 emplacamentos de veículos leves no Brasil. Os plug-in somaram 46.160 unidades, sendo 25.764 BEVs e 19.842 PHEVs. Só os elétricos a bateria responderam por 9,7% do mercado no mês. E contando apenas os automóveis – já que comerciais leves elétricos ainda são basicamente inexistentes – a marca dos 10% é superada, atingindo-se 12%. de BEVs

O consumidor brasileiro, sem nenhum idealismo, parece ter adotado a eletrificação inicialmente num cálculo econômico. Mas tudo indica que hoje já é mais que isso, e vemos uma tecnologia nova ser escolhida no lugar da antiga

O que acontecerá com os EUA?

O que será da indústria dos Estados Unidos (e de quem decidir segui-los)? A eletrificação acabou politizada por lá e caindo no contexto da guerra cultural – a imagem que abre a matéria é de uma caminhonete fazendo o que se chama de rolling coal, injetando diesel no escape para causar fumaça extra. Isso é uma “brincadeira” geralmente feita na presença de um carro elétrico.

Mas as montadoras dos Estados Unidos, se estão aproveitando o momento para venderem mais veículos poluentes, não são suicidas. Tanto a Ford quanto a GM, ainda que também façam jogadas na outra direção, mantém planos sérios para eletrificação, e, esses planos podem durar mais que a administração atual do país.

Via Electrek