
A General Motors (GM) está dando uma meia volta em sua estratégia de eletrificação para a submarca Cadillac: após anos apostando em uma transição acelerada para os veículos elétricos, a montadora norte-americana decidiu ampliar novamente os investimentos em modelos equipados com motores a combustão, sobretudo na linha de luxo.
Desde que o governo Trump encerrou os subsídios de US$ 7.500 para carros elétricos anos passado, o mercado de elétricos nos EUA entrou em retração. De um dos centros da tecnologia, o recuo acabou ajudando a América do Norte (o Canadá também cancelou um incentivo) a se tornar a única região onde vendas de elétricos caíram no ano passado.
A mudança foi confirmada pela CEO da GM, Mary Barra, que revelou que a Cadillac voltará a lançar veículos movidos a gasolina nos próximos anos. A marca de luxo da fabricante havia anunciado anteriormente a intenção de se tornar totalmente elétrica até 2030, mas a desaceleração da demanda por veículos elétricos fez a empresa rever seus planos.
Segundo Barra, a Cadillac apresentará novos modelos em 2027 e 2028, incluindo o retorno de veículos a combustão que haviam sido descontinuados em 2025. Embora a executiva não tenha revelado quais modelos voltarão ao mercado, a decisão representa uma mudança significativa na estratégia da fabricante, que nos últimos anos concentrou grande parte de seus investimentos em plataformas elétricas e no desenvolvimento da arquitetura Ultium.
A GM afirma que a decisão não representa um abandono da eletrificação, mas sim uma adaptação às condições atuais do mercado. O objetivo, segundo a empresa, é “oferecer aos consumidores uma gama mais ampla de opções”, combinando veículos elétricos, híbridos e modelos equipados com motores a combustão interna.
Entre os indícios da nova estratégia está o retorno de modelos de alto desempenho equipados com motores V8. A Cadillac já confirmou que continuará produzindo versões esportivas como o CT5-V Blackwing, um sedã que utiliza um motor V8 supercharged de 6,2 litros, além de estudar novas aplicações para esse conjunto mecânico.
O país que resiste
Desde o ano passado, diversas montadoras ocidentais, e não apenas nos Estados Unidos, passaram a rever seus cronogramas de eletrificação. A mudança afetou principalmente os EUA, onde o governo basicamente adotou o que pode ser chamado de política antiambiental, chegando a proibir o termo “mudança climática” em seu Departamento de Energia, e extinguiu o incentivo de US$ 7.500 para a compra de elétricos.
Mas nem tudo partiu do atual governo: no fim de seu mandato, o democrata Joe Biden promulgou uma decisão basicamente banindo os chineses do país por um suposto “risco à segurança nacional”. Na prática, o país já estaria com o mercado fechado aos chineses – e seus preços – mesmo se os resultados das eleições tivessem sido outros.
O período começado no ano passado viu uma onda de recuos que inclui marcas como Lamborghini, que cancelou seu único projeto elétrico, e Porsche, Audi, Mercedes-Benz, Bentley, Aston Martin e até a Volvo, que cancelaram seus projetos de eletrificação total.
Não sem alguma ironia, o mesmo governo Trump parece ter da um impulso para o jogo estar virando outra vez. Por conta da crise do estreito de Ormuz, causada pela guerra com o Irã, e o choque de suprimentos, o petróleo acabou atingindo seus maiores preços desde os anos 1970. Isso tem levado a uma nova corrida para os EVs em muitos países, inclusive o Brasil.
E o Brasil?
Embora a mudança tenha como foco inicial o mercado americano, ela pode ter reflexos na estratégia da General Motors em outros países, incluindo o Brasil. Recentemente, o Cadillac voltou ao país em uma linha 100% elétrica, o que alguns viram como uma maneira de se livrar do inventário que encalhou nos EUA.
Por aqui, um país que vende proporcionalmente mais EVs que os EUA desde novembro do ano passado, a estratégia da GM é muito diferente. A marca mantém sua produção tradicional a combustão interna, e não decidiu produzir seus EVs da linha americana, como o Bolt. No lugar disso, criou uma operação completamente separada, no Ceará, para produzir os produtos de sua parceria chinesa (a SAIC-GM-Wuling): o Chevrolet Blazer EV e o Equinox EV. Também confirmou a chegada de novos veículos elétricos e híbridos nos próximos anos.
Via Auto Evolution
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