Ilustração com um escapamento e uma flecha apontando para baixo
Só ladeira abaixo | Foto: Nik / Unsplash

Números liberados pela Associação Chinesa de Carros de Passeio (CPCA) revelaram o estado das vendas no país em agosto. E a situação é de crise – mas não realmente para os elétricos.

As vendas totais de automóveis na China registraram um total de 1,54 milhão de unidades em agosto de 2026, o que representa uma queda de 23,6% em relação a agosto de 2025. Dessas vendas, 1 milhão foram de veículos de novas energias (elétricos e híbridos plug-in), que também sofreram uma queda de 10,1% no ano a ano.

Mas a maior parte da queda veio de veículos a combustão interna: os 536 mil vendidos representam 40% a menos que em agosto passado, quando eles tiveram 894 mil emplacamentos. Outra categoria que caiu foi a dos híbridos plug-in (PHEV), que perderam 25,8% em números em comparação com o ano passado, marcando 307 mil unidades. E eles explicam sozinhos a queda no volume de veículos de novas energias.

Elétricos não caíram

Porque – surpresa – elétricos puros (BEV) foram a única categoria a crescer: registrando 1,7% de aumento anual, indo a 698 mil unidades e configurando a categoria mais numerosa.

Dito de outra forma, nada da queda nas vendas de carros chineses pode ser atribuído a elétricos. Em números absolutos, eles cresceram. São modelos a combustão, híbridos ou não, que estão enfrentando um crash. Como BEVs e PHEVs acabam enquadrados como veículos de novas energias, já que podem ambos andar apenas com eletricidade, vários meios acabam noticiando queda nos “elétricos” chineses.

No fim, a divisão das vendas na China ficou em 45% BEVs, 20% PHEVs e 35% combustão interna. Há um ano, a proporção era inversa e a combustão era 45% das vendas.

Segundo a CPCA, a culpa dessa queda toda é o aumento nos custos de uso de carros a combustível. Desde que começou a crise do Estreito de Ormuz, o preço da gasolina na China subiu CN¥ 1,72 (yuans, ~R$ 1,30) por litro, chegando a CN¥ 8,7 (~R$ 6,62) por litro, em média.

No fechamento desta matéria, a Petrobras indica que a média da gasolina no Brasil está quase igual ao valor chinês: R$ 6,51. Por aqui, porém, os elétricos aumentaram 256% suas vendas em agosto, ultrapassando pela primeira vez a marca de 10% dos veículos leves.

O que mantém as empresas chinesas no azul são países como o Brasil. Se o mercado interno caiu quase 1/4, o externo subiu 77,8%, para 888 mil unidades. Entre elas, os NEVs subiram 154,7%.

Via CarNewsChina