
A Bright Consulting publicou seu levantamento de emplacamentos da primeira quinzena de agosto, e os resultados indicam uma aceleração da tendência observada nos últimos meses: um aumento rápido da eletrificação, em particular elétricos puros (BEV), que são a maioria entre eles.
No período, foram vendidos 101.457 veículos leves, dos quais 80.095 foram automóveis. Os eletrificados, 26.370 unidades no total, marcaram 26% dos veículos leves, mas foram 31,9% dos automóveis – e, com apenas 800 unidades emplacadas, 3,7% em comerciais leves.
E aqui valem alguns comentários. Diferente dos automóveis, em que elétricos puros são a categoria mais popular, em comerciais leves, mesmo nesse número pequeno, há basicamente apenas híbridos. Em julho, foram 80 unidades de elétricos puros vendidas, o que deu 0,15% da categoria.
Sucesso elétrico
E vale dar uma refinada nos números da Bright também, porque eles incluem algumas categorias que não representam realmente eletrificação. Esta é a tabela completa:
| Powertrain | Emplacamentos |
|---|---|
| BEV | 11.648 |
| PHEV | 7.887 |
| HEV | 3.989 |
| EREV | 265 |
| MHEV | 2.581 |
| Total | 26.370 |
MHEV é um híbrido leve – basicamente um carro com um motor de arranque que concede potência auxiliar. HEV é um híbrido convencional, que não permite carregar na rede elétrica e, portanto, é um veículo com um motor elétrico movido a combustível. Não representa transição energética.
Descontando essas duas categorias, temos 19.800 veículos plug-in sendo emplacados, o que dá 19,5% dos veículos leves – chegando a um quinto. Como não sabemos quantos dos 800 comerciais leves entram nessa categoria, podemos descontar todos os 800 e ficar em 19 mil exatos. Isso dá 23,7% dos automóveis como plug-in.
E o que mais interessa à gente: 14,5% dos novos automóveis no Brasil na primeira quinzena de agosto foram elétricos puros. E, mesmo se você considerar veículos leves como um todo, temos 11,5% – superando pela primeira vez a marca de 10%.
Isso é um grande salto. Em junho, eles marcavam 9,87% do total. Em julho, foram 12,08%. A fatia de mercado subiu 47,3% em dois meses. Esta é a evolução da proporção:
Boas notícias para a BYD
Quando falamos em carros, a BYD segue sendo a rainha do varejo, com vantagem de 767 unidades sobre o segundo lugar, a Fiat. Mas agora também está em terceiro na classificação geral – basicamente superando todas as marcas tradicionais menos a Volkswagen e a Fiat.
| Marca | Varejo | Total | Var |
|---|---|---|---|
| FIAT | 7042 | 17607 | -0,60% |
| VW | 6502 | 14394 | -1,90% |
| BYD | 7809 | 10454 | 1,00% |
| GM | 4812 | 8290 | -0,30% |
| HYUNDAI | 3416 | 7925 | 1,40% |
E ela ainda marca dois dos carros mais vendidos nos 10 mais, e os dois mais vendidos no Varejo: o Dolphin e o Dolphin Mini, que recuperou uma posição. O terceiro lugar fica sendo o Geely EX2, com um varejo dominado por elétricos nas três primeiras posições.
| Modelo | Varejo | Total |
|---|---|---|
| BYD Dolphin | 3139 | 3461 |
| BYD Dolphin Mini | 2347 | 3221 |
| GEELY EX2 | 2193 | 2332 |
| FIAT Strada | 2062 | 5441 |
| VW Tera | 1883 | 2860 |
Má notícia na boa notícia
Os números em geral apresentam esse aumento na proporção, mas devem ter queda em valores absolutos no mês – não deve haver mais de 25 mil BEVs vendidos em agosto, como houve em julho. Todo o mercado deve apresentar números menores, e os modelos individualmente também apresentam queda. Segundo a Bright, houve uma queda de 7,2% na média diária das vendas.
São variações normais ao longo do ano, mas a tendência de aumento na proporção dos eletrificados, e dos elétricos em particular, tem se mantido.


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