
Saiu o relatório mensal da Bright Consulting, que adianta tendências antes de outras fontes, e ele tem más notícias para a eletrificação neste mês: o volume total de eletrificados caiu de 63.709 em agosto para 60.821 em setembro, num mês que registrou aumento de 1,6% nas vendas totais de veículos leves: 265.275 versus 261.204.
Mais criticamente para o tema da transição, houve uma queda severa nos elétricos puros: eles saíram de 27.159 unidades em agosto para 22.119 em setembro: um crash de 18,5%. Com isso, deixamos o clube dos 10%, com o total de BEVs entre os leves, caindo de 10,36% para 8,2% – em índice e números absolutos, voltamos a junho. O número, porém, ainda representa 10,1% se contarmos apenas os automóveis (214.027 em setembro) – e faz sentido contar porque elétricos são basicamente inexistentes entre veículos leves.
Isso encerra um ciclo de seis meses de crescimento contínuo. A BYD, também, vê sua primeira queda mensal em muito tempo, perdendo 1,1 pontos percentuais de sua participação de mercado (era 9,3%, fechou setembro em 8,2%).
Esta é a evolução da participação dos eletrificados em automóveis no último ano:
E agora um paradoxo: em meio a essa queda, o elétrico mais popular do Brasil na verdade cresceu em vendas: com um recorde de 9.385 unidades emplacadas, o Dolphin Mini chegou à posição de terceiro carro mais vendido no Brasil. Mês passado ele estava em quinto, com 8.299. Ele segue como segundo nas vendas no varejo, com 5.886 unidades, mas no lugar do BYD Dolphin em primeiro, entre um modelo à combustão, a Fiat Strada (6.011), ao que se segue um híbrido convencional, o GWM Haval H6 (5.843).
| Modelo | Emplacamentos | Varejo |
|---|---|---|
| FIAT Strada | 16.000 | 6.011 |
| VW Polo | 11.095 | 3.297 |
| BYD Dolphin Mini | 9.385 | 5.886 |
| VW T Cross | 9.339 | 3.806 |
| VW Tera | 8.725 | 4.183 |
| FIAT Argo | 8.603 | 2.311 |
| FIAT Pulse | 7.150 | 1.911 |
| GM Onix | 7.133 | 3.172 |
| GWM Haval H6 | 6.433 | 5.843 |
| FIAT Mobi | 6.395 | 74 |
| HYUNDAI Hb20 | 6.314 | 1.069 |
| RENAULT Kwid | 6.150 | 2.545 |
| FIAT Toro | 5.539 | 3.437 |
| GM Onix Plus | 5.353 | 1.073 |
| TOYOTA Yaris Cross | 5.288 | 3.288 |
Sumiram, porém, dessa lista dos 15 mais todos os outros elétricos. No mês passado, inclusive, o BYD Dolphin estava na frente dele no varejo, e simplesmente desapareceu da lista. O que significa que ele fechou o mês com menos de 5.288 unidades vendidas no fim da lista – mês passado havia fechado em 6.740, o que o deixaria à frente do Haval H6. O Geely EX2, com 5.805, estaria na frente da Fiat Toro, mas também caiu fora.
Outra mudança notável neste mês: a subida de híbridos não plug-in (HEV) e híbridos não realmente (MHEV), que são dominados por montadoras tradicionais.
Afinal, o que aconteceu?
Antes de arriscar qualquer análise, vale dizer que um mês não indica uma tendência, ainda mais após seis meses de crescimento. Talvez mês que vem tenha uma surpresa agradável, ou ao menos não confirme um estado de declínio.
Mas, com o Dolphin Mini crescendo ao mesmo tempo em que os outros desaparecem, podemos arriscar um palpite: alguns elétricos mais procurados, como o Geely EX2, têm longas filas de espera, chegando até 120 dias. Pode ter acontecido algo como em março, quando houve um crash nas vendas por falta de oferta.
Ou pode ser que houve alguma anomalia positiva nos últimos dois meses, talvez por promoções, em modelos que não são o Dolphin Mini – que viu sua participação crescer para 42% de todos os elétricos emplacados, após meses perdendo espaço para concorrentes.
A hipótese mais pessimista: pode ser que a demanda tenha sido atendida no furor dos últimos meses e boa parte das pessoas que queriam comprar elétricos já comprou.
Ou pode ser ainda que as sementes plantadas pelo governo federal para incentivar a combustão interna estejam finalmente dando frutos, já que diversos modelos na lista recebem benefício fiscal para rodar com gasolina porque são “carros sustentáveis”.
Estaremos de olho.




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