Ilustração com gráfico que sobe e desce
O que sobe, desce | Pablo Merchán Montes / Unsplash+

[Nota: com novos dados, esta matéria passou por uma atualização importante, que muda sua conclusão inicial.]

Saiu o relatório mensal da Bright Consulting, que adianta tendências antes de outras fontes, e ele tem más notícias para a eletrificação neste mês: o volume total de eletrificados caiu de 63.709 em agosto para 60.821 em setembro, num mês que registrou aumento de 1,6% nas vendas totais de veículos leves: 265.275 versus 261.204.

Mais criticamente para o tema da transição, houve uma queda severa nos elétricos puros: eles saíram de 27.159 unidades em agosto para 22.119 em setembro: um crash de 18,5%. Com isso, deixamos o clube dos 10%, com o total de BEVs entre os leves, caindo de 10,36% para 8,2% – em índice e números absolutos, voltamos a junho. O número, porém, ainda representa 10,1% se contarmos apenas os automóveis (214.027 em setembro) – e faz sentido contar porque elétricos são basicamente inexistentes entre veículos leves.

Isso encerra um ciclo de seis meses de crescimento contínuo. A BYD, também, vê sua primeira queda mensal em muito tempo, perdendo 1,1 pontos percentuais de sua participação de mercado (era 9,3%, fechou setembro em 8,2%).

Esta é a evolução da participação dos eletrificados em automóveis no último ano:

Gráfico com a participação dos eletrificados no Brasil
Evolução dos eletrificados nos emplacamentos | Gráfico: evdrops com dados da Bright Consulting e ABVE
Gráfico com a participação dos eletrificados no Brasil
Evolução dos eletrificados nos emplacamentos | Gráfico: evdrops com dados da Bright Consulting e ABVE

Outra mudança notável neste mês: a subida de híbridos não plug-in (HEV) e híbridos não realmente (MHEV), que são dominados por montadoras tradicionais.

Gráfico com as vendas de eletrificados no Brasil, em números absolutos
Evolução das vendas de eletrificados | Gráfico: evdrops com dados da Bright Consulting e ABVE
Gráfico com as vendas de eletrificados no Brasil, em números absolutos
Evolução das vendas de eletrificados | Gráfico: evdrops com dados da Bright Consulting e ABVE

E agora um aparente paradoxo: em meio a essa queda, o elétrico mais popular do Brasil na verdade cresceu em vendas: com um recorde de 9.385 unidades emplacadas, o Dolphin Mini chegou à posição de terceiro carro mais vendido no Brasil. Mês passado ele estava em quinto, com 8.299. Ele segue como segundo nas vendas no varejo, com 5.886 unidades, mas no primeiro lugar sai o BYD Dolphin e entra um modelo à combustão, a Fiat Strada (6.011), ao que se segue um híbrido convencional, o GWM Haval H6 (5.843).

ModeloEmplacamentosVarejo
FIAT Strada16.0006.011
VW Polo11.0953.297
BYD Dolphin Mini9.3855.886
VW T Cross9.3393.806
VW Tera8.7254.183
FIAT Argo8.6032.311
FIAT Pulse7.1501.911
GM Onix7.1333.172
GWM Haval H66.4335.843
FIAT Mobi6.39574
HYUNDAI Hb206.3141.069
RENAULT Kwid6.1502.545
FIAT Toro5.5393.437
GM Onix Plus5.3531.073
TOYOTA Yaris Cross5.2883.288

Sumiram, porém, dessa lista dos 15 mais todos os outros elétricos. No mês passado, inclusive, o BYD Dolphin estava na frente dele no varejo, e simplesmente desapareceu da lista.

Afinal, o que aconteceu?

Antes de arriscar qualquer análise, vale dizer que um mês não indica uma tendência, ainda mais após seis meses de crescimento. Talvez mês que vem tenha uma surpresa agradável, ou ao menos não confirme um estado de declínio.

A resposta está provavelmente em dois modelos bastante populares.

Segundo a consultoria K.Lume, o Dolphin foi de 6.740 unidades em agosto para 4.132 em setembro – uma queda de quase 38,7%. O terceiro elétrico mais vendido, o Geely EX2, foi de 5.804 para 2.724 unidades a– caindo 53,1%.

Só esses dois modelos respondem por 5.688 vendas a menos neste mês, o que é mais que as 5.044 unidades a menos no total de elétricos puros. O quarto lugar entre elétricos no mês passado, o GAC Aion UT, na verdade cresceu e não foi pouco: foi de 978 unidades emplacadas em agosto para 1.471 em setembro (50,4%).

Entramos em contato com a BYD e a Geely, e vamos atualizar quando chegarem as respostas, mas os indícios apontam para um choque de oferta – simplesmente não há o que emplacar. Isso aconteceu com o Geely EX2 em março, no qual teve uma queda similar nas vendas porque o estoque importado acabou. O EX2 está sendo nacionalizado até o fim do ano, e pode acontecer de a empresa estar segurando suas importações à espera disso.

Há outras hipóteses – que mencionamos na primeira versão desta matéria, antes de saírem os números do Dolphin e do EX2. Vamos mantê-las, mas agora elas parecem bem menos prováveis:

  • Pode ser que houve alguma anomalia positiva nos últimos dois meses, talvez por promoções, em modelos que não são o Dolphin Mini – que viu sua participação crescer para 42% de todos os elétricos emplacados, após meses perdendo espaço para concorrentes.
  • A hipótese mais pessimista: pode ser que a demanda tenha sido atendida no furor dos últimos meses e boa parte das pessoas que queriam comprar elétricos já comprou.
  • Ou pode ser ainda que as sementes plantadas pelo governo federal para incentivar a combustão interna estejam finalmente dando frutos, já que diversos modelos na lista recebem benefício fiscal para rodar com gasolina porque são “carros sustentáveis”.

Estaremos de olho.

Atualizaremos essa matéria assim que obtivermos respostas da BYD e da Geely sobre as quedas.

Via Bright Consulting

Atualização em 02/10/2025 11:30: matéria e argumentos centrais revisados por conta dos números da queda do BYD Dolphin e do Geely EX2.