Foto do novo Chevrolet Bolt, modelo 2027
Novo Bolt | chargepozitive / Reprodução

O Chevrolet Bolt parece um carro fadado ao fracasso – ou pelo menos é o que a GM parece acreditar. Isso acontece menos de um ano após o modelo ser ressuscitado – ainda que, é verdade, já com a promessa de não durar muito.

O modelo terá sua produção drasticamente reduzida, com apenas uma fração do volume inicialmente previsto saindo da linha até março do ano que vem, quando a montagem deverá parar de vez. O hatch elétrico, aliás, sequer chegou a ser lançado no Brasil nesta nova geração.

De acordo com informações da Reuters, o sindicato UAW estima que a fábrica de Fairfax, no Kansas, produza cerca de 35 mil unidades do Bolt antes do fim da fabricação no primeiro trimestre de 2027. O plano original previa aproximadamente 150 mil carros no mesmo período. Assim, houve uma redução de 75%. A GM não confirmou os números e afirmou apenas que avalia continuamente as condições do mercado e a demanda dos clientes.

A decisão também afeta os trabalhadores da fábrica. Quase 1.000 funcionários permanecem em licença por tempo indeterminado, enquanto a GM prepara a unidade para receber modelos a combustão. A partir de 2027, o local deverá produzir o Chevrolet Equinox atualmente fabricado no México e, posteriormente, o Buick Envision, hoje produzido na China. Vale lembrar que a fábrica de Detroit da empresa também sofreu uma paralisação neste ano.

Renovação por pouco tempo

O curioso é que o Bolt 2027 não é simplesmente o mesmo carro de antes. A nova geração recebeu mudanças importantes em relação ao Bolt EV/EUV anterior, incluindo bateria LFP de cerca de 65 kWh, autonomia de 262 milhas (422 km) pelo ciclo EPA e carregamento rápido de até 150 kW. A Chevrolet também adotou o conector NACS de série, compatível com parte da rede de Superchargers da Tesla. O motor entrega 210 cv.

O modelo chegou aos EUA com preço inicial de US$ 27.600 (˜mais de R$150 mil, na época), mas vendeu apenas 4.224 unidades até agosto de 2026. A redução na produção também reflete a mudança de estratégia das montadoras diante das decisões do governo Trump e de legisladores republicanos para retirar incentivos federais aos veículos elétricos. As vendas de EVs nos EUA perderam força após o fim, em setembro de 2025, do crédito fiscal federal de até US$ 7.500 para compradores de carros elétricos.

O que pode estar acontecendo? Como quase tudo sobre o Grande Revertério Americano dos Elétricos, a resposta pode ter a ver com a cor laranja. Neste segunda – e isso é apenas a medida mais recente – o governo Trump acabou com regras de economia de combustível que vinham desde os anos 1970. É nesse clima que fabricantes como a GM estão investindo tudo em caminhonetes e SUVs poluentes. A rival RAM (do grupo Stellantis) conseguiu um aumento de 73% das vendas de sua caminhonete ao reintroduzir o motor Hemi V8.

Quanto ao Brasil, o clima pode ser completamente outro, mas é basicamente outro prego no caixão do Bolt. A Chevrolet chegou a vender o modelo no Brasil em 2023, mas a produção daquela geração foi encerrada nos EUA naquele mesmo ano. Depois disso, nunca mais.

Via Reuters/Autoblog