Carro subindo ficção científica
Rumo ao futuro | Prakasit Khuansuwan / Unsplash+

A Bright Consulting e K.Lume Consultoria publicaram suas análises mensais de emplacamentos de julho de 2026, e elas trazen mudanças consideráveis em relação às edições anteriores.

A grande novidade fica por conta do número de elétricos puros (BEV) entre os novos carros entrando em circulação no Brasil: seu número subiu a um recorde de 25.764 unidades, contra 21.082 em junho – um aumento de 22%, e um aumento anual de 267% em relação às 7.010 unidades emplacadas em julho de 2025.

Dos 265.148 veículos leves registrados no mês, 212.742 foram carros. Cruzando os dois números, temos que, entre os carros, 12,11% foram elétricos.

É verdade que alguns desses BEVs são classificados como comerciais leves e não temos esse detalhamento agora. Mas o número é mínimo: em junho, 111 comerciais leves nessa categoria foram registrados. Assim, dá para dizer com segurança que temos mais de 12% dos automóveis entrando em circulação no Brasil em julho de 2026 foram elétricos.

O fim do reinado do Dolphin Mini

E a segunda maior novidade é que o rei perdeu a coroa: após ser o carro mais vendido no varejo desde fevereiro e após ter mais de 60% das vendas de BEVs no Brasil, o Dolphin Mini foi superado. Por seu próprio “irmão mais velho”: o BYD Dolphin é agora o número um do varejo.

Estes são os mais emplacados de julho, por ordem de vendas no varejo:

ModeloVarejoTotal
1. BYD Dolphin58616492
2. Geely EX257075898
3. BYD Dolphin Mini55377265
4. VW Tera447010165
5. Hyundai Creta41855880

Note que o Dolphin Mini não perdeu uma, mas duas posições – o segundo lugar para o arquirrival Geely EX2. Note também que o seu total de vendas na verdade subiu, não caiu, em relação a junho.

Em junho, o Dolphin Mini havia registrado 5.143 emplacamentos no varejo e 6.547 no total. Agora são 5.537 no varejo e 7.265 no total. O crescimento ocorreu principalmente nas vendas diretas, que representam agora 23,8% do total, aumentando de 1.314 unidades no mês passado para 1.728 neste: um vultoso aumento de 31%. É o único BEV com mais de mil unidades em venda direta e supera o Hyundai Creta nessa categoria.

O que aconteceu, assim, foi que o Dolphin Mini cresceu num segmento quase sem presença de elétricos, que é o das vendas diretas. Enquanto os rivais absorveram o crescimento no varejo.

A BYD também manteve seu posto de maior montadora no varejo, com 16.052 unidades, mas dessa vez terminando bem próxima da Volkswagen, que marcou 15.938.

A evolução da eletrificação no Brasil

Os números brutos da eletrificação em julho de 2026 são:

PowertrainEmplacamentos%
BEV (Battery Electric Vehicle)2576441,70%
PHEV (Plug-In Hybrid Electric Vehicle)1984232,10%
HEV (Hybrid Electric Vehicle)982415,90%
MHEV (Mild Hybrid Electric Vehicle)5,7979,40%
REEV (Range Extender Electric Vehicle)5540,90%

No gráfico abaixo, que cruza dados da Bright com os da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), é possível ver o crescimento mensal dos eletrificados no Brasil.

Note como a curva se acentua neste ano, e o crescimento é quase todo nas categorias plug-in (BEV, PHEV e EREV).

A BYD e o mundo

Se a BYD não tem o que lamentar com a “perda do título” do Dolphin Mini para seu próprio carro, ela também tem boas notícias internacionalmente. Em julho, ela celebrou um aumento de 22% nas vendas totais, após um começo de ano duro, por conta da queda nas vendas na China. Esse crescimento foi impulsionado pelas suas vendas no exterior, e um dos países mais relevantes nelas é o Brasil.

Na semana passada, saiu a notícia de que o Brasil havia se tornado o maior importador mundial de carros chineses. 87% desses veículos são eletrificados, e a maioria é de elétricos puros. Assim, esses números precisam ser interpretados como um cenário no qual os chineses crescem desimpedidos, porque os fabricantes tradicionais não oferecem o mesmo produto (salvo por meio de seus parceiros chineses).