A Volkswagen apresentou o Mission Efficiency, um carro-conceito elétrico baseado na plataforma MEB+, a arquitetura elétrica do ID.Polo e do ID.4. O modelo, feito para fazer jus ao nome, bateu, segundo a VW, três recordes: o carro mais aerodinâmico com permissão para rodar em vias públicas, o menor consumo possível numa viagem ideal (veja abaixo), e um extremamente específico recorde de mais econômico “carro próximo de produção de quatro lugares destinado ao uso cotidiano”.
Para simplificar: é um sedã compacto com consumo menor que compactos chineses de entrada, e que não teria rival em qualquer carro atualmente vendido, apenas microcarros e modelos experimentais. Se fosse lançado hoje, seria o carro mais econômico do mundo.
Durante a experiência, o novo modelo percorreu 1.278 km entre Wolfsburg, na Alemanha, e Viena, na Áustria. Equipado com uma bateria de 54,9 kWh utilizáveis, o protótipo entregou 653 km de autonomia real com uma única carga. Recarregando no meio do caminho, ele chegou ao seu destino com 164 km de autonomia indicada, perfazendo uma média de 67,72 km/h, e uma máxima de 138 km/h. O consumo médio ficou em 6,89 kWh por 100 km – ou, considerando as perdas na recarga (o que a VW foi honesta de indicar, mas não entra nas comparações), 7,51 kWh por 100 km.
Nos testes controlados – com velocidade constante de 68 km/h em um percurso plano – o protótipo conseguiu um resultado ainda melhor, com 6,48 kWh por 100 km e superou 805 km de alcance.
Para se ter uma ideia do que isso significa, o Geely EX2 e o Dolphin Mini GL, os elétricos mais econômicos no Brasil, fazem cerca de 11 kWh por 100 km na cidade, e entre 12 e 14 kWh por 100 km na estrada – os números do teste da VW são na estrada. O carro é, assim, duas vezes mais eficiente que compactos chineses de entrada.
Mesmo indo para microcarros, o Citroën Ami, que é um quadriciclo com 485 kg e máxima de 45 km/h, faz 7 kWh por 100 km na cidade.
A mágica vem do formato de gota extremamente aerodinâmico, com um coeficiente de arrasto (Cd) de 0,158. Quanto menor o coeficiente, mais aerodinâmico é o carro. O modelo de produção mais aerodinâmico atualmente é o Lucid Air, com um Cd de 0,197.
Um conceito muito mais próximo da realidade
Ainda que esteja sendo comparado com o ID.Polo pela mídia especializada, é interessante notar que o Mission Efficiency também se inspira no XL1, híbrido plug-in da Volkswagen produzido entre 2013 e 2016, que conseguia fazer 100 km com 0,9 l de diesel.

O XL1 teve apenas 250 unidades produzidas, vendidas a um astronômico preço de € 111.000 – equivalentes a € 149 mil (~R$ 890 mil) hoje. Para um carro com 50 km de autonomia elétrica e 39 cv no modo esportivo. Essa é a razão de ninguém lembrar dele.
O Mission Efficiency é bem diferente, pensado para simular um carro de uso cotidiano e produzido com tecnologia básica, já usada hoje. Com cerca de 4,2 metros de comprimento, o modelo tem carroceria mais baixa e longa, além de traseira estreita. O motor dianteiro tem 99 kW (134 cv).
O coeficiente aerodinâmico recordista foi obtido também com rodas traseiras parcialmente fechadas, assoalho carenado e entradas de ar ativas. E a roda dianteira tem uma calota e contato com os pneus planejados para diminuir a resistência ao ar o máximo possível.
Para ser um teste de um modelo prático, o conceito mantém uma configuração 2+2 e porta-malas de 481 litros. O peso fica em torno de 1,6 tonelada, cerca de 50 kg acima do ID.Polo. Há ainda compartimentos ocultos próximos às rodas traseiras para guardar os cabos de carregamento.
No interior, o modelo traz bancos dianteiros impressos em 3D e uma tela sensível ao toque removível montada em um braço destacável. Para reduzir peso e consumo, a Volkswagen abriu mão de alguns equipamentos, usando espelhos convencionais e maçanetas não motorizadas.
“O Mission Efficiency é a forma ideal para demonstrar o que distingue a Volkswagen na era elétrica: tecnologia para as massas – não para os poucos”, afirma Thomas Schäfer, CEO da Volkswagen. “No lugar de usar tecnologia especializada, o modelo atinge seus três recordes mundiais usando a tecnologia acessível de produção do ID.Polo e do ID.Cross, baseado na plataforma MEB+ com tração dianteira. Isso mostra o tanto de eficiência que podemos adicionar à nossa última geração de carros elétricos.”
Como todo conceito, o Mission Efficiency é, em tese, apenas uma visão para o futuro. Mas, com a VW abertamente incomodada com o avanço dos eletrificados chineses na Europa, é fácil ver uma busca de soluções fora daquilo em que é muito difícil concorrer com chineses: o preço da bateria. Com mais eficiência, seria possível fazer carros mais baratos usando baterias menores, ou carros com maior alcance e o mesmo preço.
Via Volkswagen






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