
A BYD encomendou mais 10 navios transportadores de carros (RO-RO), cada um com capacidade para 9.200 unidades equivalentes de carro (CEU), segundo informações da publicação especializada New Ships. As embarcações serão construídas pela China Merchants Industry nos estaleiros de Jinling e Haimen, na China, com entregas previstas entre 2027 e 2029.
Um CEU é equivalente a cerca de 10 m² – espaço suficiente para um carro médio, mas veículos maiores podem exigir mais de um deles por viagem. E um navio RO-RO (de roll-on, roll-off, algo como “entra e sai rodando”) é um cargueiro especializado em veículos com rodas, que tem rampas como num estacionamento, permitindo que eles embarquem ou desembarquem por conta própria.
Com o novo pedido, a frota própria da BYD chegará a 18 navios. Os oito primeiros já estão em operação e, quando as novas embarcações forem entregues, a capacidade combinada ultrapassará 130 mil CEUs. A estratégia permite à montadora controlar uma parcela maior da logística de exportação e reduzir a dependência de navios fretados, em um momento de alta demanda mundial por transportadores de veículos.
Os novos navios serão do tipo PCTC (Pure Car and Truck Carrier), projetados especificamente para transportar veículos. A construção ficará novamente a cargo da China Merchants Industry, que já participou da produção de embarcações da frota atual.
Estrutura para exportações
A estratégia da BYD de ter uma frota própria de navios é coerente com o princípio apontado como a principal razão (e não os subsídios) para os preços chineses: a verticalização. Empresas como a BYD concentram o máximo de sua operação internamente, na direção oposta à terceirização adotada no Ocidente.
A expansão acontece enquanto a fabricante tenta compensar a fraqueza do mercado chinês. Em agosto, as vendas domésticas da BYD caíram 14,34% na comparação anual, enquanto a retração acumulada nos primeiros oito meses de 2026 chegou a 32,72%. A disputa por preços no mercado local continua pressionando as margens das fabricantes.
No exterior, o cenário é praticamente oposto. A BYD vendeu 189.466 veículos fora da China em agosto, alta de 134,45% em um ano. As exportações já representam 44% do volume total da empresa e 53% da receita do grupo, ajudando a explicar como a companhia conseguiu registrar lucro líquido de 8,2 bilhões de yuans no segundo trimestre, alta de 30%, mesmo com queda de 3% na receita trimestral.
A China como um todo, aliás, vive um momento de retração. As vendas de carros caíram quase 25% em agosto, comparadas às do ano passado – com elétricos puros registrando um pequeno aumento. Por outro lado, as exportações subiram 77,8%.
É nesse contexto que os navios fazem sentido. A BYD não está apenas produzindo mais carros para outros mercados, mas também investindo na infraestrutura necessária para colocá-los nesses países. Com 18 embarcações próprias e mais de 130 mil CEUs de capacidade, a montadora passa a ter maior controle sobre uma etapa crítica da expansão internacional.
Via New Ships
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