Oliver Blume, CEO do Grupo Volkswagen
Oliver Blume | Volkswagen / Divulgação

A Volkswagen voltou a pressionar a União Europeia por medidas mais rígidas (leia-se: mais taxas) contra as montadoras chinesas. Durante a apresentação dos resultados financeiros do primeiro semestre de 2026 do Grupo Volkswagen, o CEO da companhia, Oliver Blume, afirmou que o bloco europeu deveria estender aos híbridos plug-in (PHEVs) importados da China as mesmas tarifas atualmente aplicadas aos veículos 100% elétricos (BEVs).

O pedido acontece em um momento de forte crescimento das fabricantes chinesas no mercado europeu de eletrificados. Dados da consultoria Dataforce mostram que, entre janeiro e junho de 2026, marcas chinesas responderam por 27,3% das vendas de híbridos plug-in na Europa, com 208.368 unidades comercializadas, conquistando quase um terço desse segmento.

Segundo Blume, a atual política tarifária da União Europeia criou uma brecha que favorece os fabricantes chineses. Enquanto os veículos elétricos a bateria produzidos na China estão sujeitos a tarifas adicionais de até 35%, os híbridos plug-in continuam pagando apenas a tarifa padrão de importação, o que, na visão do executivo, gera uma competição desigual.

(35%, aliás, é o que o Brasil também está cobrando dos veículos elétricos chineses, mesmo desmontados, atendendo gentilmente a pedidos do nosso lobby local – que inclui a Volkswagen. O governo aceitou o argumento de que a eletrificação não precisava mais de incentivos quando veículos plug-in tinham 1,76% de market share.)

Ambiente “mais competitivo”

O CEO da Volkswagen argumenta que a adoção das tarifas sobre os BEVs ajudou a restabelecer um ambiente competitivo mais equilibrado entre as montadoras europeias e as fabricantes chinesas. Por isso, ele defende que o mesmo tratamento seja aplicado aos PHEVs, evitando que as empresas simplesmente migrem suas exportações para modelos híbridos plug-in como forma de contornar as restrições impostas aos elétricos puros.

Com a entrada em vigor das tarifas sobre os veículos elétricos chineses, diversas montadoras do país asiático passaram a concentrar esforços na exportação de híbridos plug-in, categoria que combina um motor a combustão com um sistema elétrico recarregável e que, até o momento, não está sujeita às mesmas sobretaxas.

Apesar da pressão da Volkswagen, a Comissão Europeia ainda não anunciou uma investigação formal sobre os PHEVs chineses, como fez anteriormente com os veículos elétricos a bateria. No entanto, o avanço acelerado das marcas chinesas nesse segmento tem chamado a atenção das fabricantes tradicionais, que temem uma repetição do cenário observado no mercado de BEVs.

A Volkswagen se encontra em crise, anunciando recentemente demissões em massa. Isso rendeu a analistas até mesmo cogitando a hipótese de sua venda para uma montadora chinesa como a BYD.

Atendendo ao lobby de suas montadoras, as UE não só taxou mais os elétricos chineses (sob o argumento de emissões em sua fabricação) como propôs acabar com a regra, aprovada em 2023, que previa a eliminação na prática da combustão interna. Com a crise do petróleo, a aprovação da nova regra deixou de ser dada como certa, como esperado inicialmente na onda de recuos do ano passado.

Via Automotive News