GAC Aion UT no Festival Interlagos
GAC Aion UT | Fábio Marton / evdrops

Segundo informações do portal Caixin, O Grupo FAW e o Grupo GAC avançam em um acordo que pode criar um vínculo acionário entre os dois gigantes automotivos. A GAC assinou uma carta de intenções para emitir novas ações e, em troca, adquirir parte da participação da FAW em uma joint venture automotiva ainda não identificada – ambas empresas já são parceiras da Toyota, a FAW é da Volkswagen, e a GAC é da Honda.

Segundo a proposta, a FAW deve se tornar a segunda maior acionista da GAC, mas sem alteração no controle da companhia. O movimento acontece em um momento complicado para as duas empresas. As vendas domésticas da GAC caíram 20% no primeiro semestre de 2026, enquanto a companhia passou de lucro para prejuízo líquido de 8,78 bilhões de yuans em 2025. Nos primeiros seis meses de 2026, a perda chegou a 4,47 bilhões de yuans. 

A FAW, por sua vez, produziu 3,31 milhões de veículos em 2025, contra 3,73 milhões em 2020, enquanto os veículos de nova energia representaram apenas 13,5% da produção.

Uma saída para a crise

A pressão é particularmente relevante porque a transição para os veículos de nova energia mudou a competição na China. Fabricantes que construíram seus negócios principalmente em torno de motores a combustão, como FAW e GAC, precisam disputar espaço com empresas que cresceram justamente durante a expansão dos elétricos e híbridos plug-in. 

Para as estatais, uma estrutura mais integrada pode ajudar a reduzir custos e evitar a duplicação de investimentos em um mercado no qual escala passou a ter peso ainda maior.

FAW e GAC também possuem operações conjuntas com a Toyota na China, enquanto a FAW Jiefang tem forte presença no segmento de veículos comerciais.A aproximação poderia, portanto, permitir o compartilhamento de recursos e uma utilização mais eficiente das estruturas existentes. 

A hipótese de que a operação envolva a FAW Toyota, aliás, chegou a ser levantada, mas ainda não foi confirmada pela GAC.

A consolidação não é tão simples

O governo chinês vem pressionando pela redução da competição duplicada e pela reorganização das grandes empresas estatais. Em setembro, autoridades defenderam fusões e reestruturações para integrar recursos de pesquisa, desenvolvimento e produção. O novo 15º Plano Quinquenal também prevê fusões, aquisições e integração entre regiões.

Mas o caso Changan-Dongfeng mostra que a consolidação não é simples. As negociações entre as duas estatais fracassaram em 2025 após resistência interna e disputas envolvendo governos locais, inclusive sobre a localização da futura sede. A experiência indica que, mesmo com apoio de Beijing, interesses regionais e estruturas corporativas podem dificultar grandes reorganizações.

Assim, o acordo entre FAW e GAC não pode ser visto necessariamente como o primeiro passo de uma fusão. Ainda faltam definir a joint venture envolvida, a participação transferida e os termos finais da operação. Mas o movimento mostra que o governo continua tentando reorganizar sua indústria automotiva – e o caminho, claramente, vai de encontro aos carros elétricos.

Via Caixin, CnEVPost