
O China Zorrilla, o maior navio elétrico do mundo, chegou ao Uruguai depois de ser transportado da Austrália para a América do Sul. A embarcação de 130 metros foi construída pelo estaleiro australiano Incat para a empresa uruguaia Buquebus e agora passará por comissionamento e testes antes de começar a operar entre Colonia del Sacramento, no Uruguai, e Buenos Aires, na Argentina.
O navio elétrico, conhecido inicialmente pelo nome provisório de Hull 096 (“Casco 096¨), chegou a Nueva Palmira em 11 de setembro, a bordo do porta-navios MV Black Marlin, após uma viagem que começou na Tasmânia, onde foi fabricado pelo estaleiro Incat ao custo de US$ 200 milhões (~R$ 1 bilhão). De lá, será rebocado até Colonia del Sacramento, onde serão realizados os procedimentos finais antes da entrada em serviço.
Assim, mesmo percorrendo literalmente meio mundo desde a Austrália, o China Zorrilla ainda não fez essa viagem utilizando sua propulsão elétrica e, portanto, ainda aguardamos para vê-lo propriamente em funcionamento. Confira o visual da embarcação no vídeo abaixo:
Mudanças no projeto
O nome real da embarcação é uma homenagem à atriz uruguaia Concepción “China” Zorrilla, nascida em 1922 e morta em 2014. Conhecida por sua carreira no teatro, cinema e televisão, ela se tornou uma das artistas uruguaias mais reconhecidas internacionalmente. A escolha do nome dá ao projeto uma ligação direta com a cultura do país justamente antes de o ferry começar a operar uma das principais conexões entre Uruguai e Argentina.
Com casco de alumínio e cerca de 130 metros de comprimento, o ferry pode transportar até 2.100 passageiros e 225 veículos simultaneamente. O sistema de armazenamento de energia reúne mais de 5.000 baterias e tem capacidade de 40 MWh, aproximadamente quatro vezes maior que a de qualquer outra embarcação marítima construída anteriormente, e equivalente a mil carros como um BYD Dolphin Mini. A autonomia estimada é de cerca de 90 minutos, suficiente para a rota de aproximadamente 30 milhas náuticas, ou 56 km, pelo Rio da Prata.
A propulsão utiliza oito jatos d’água elétricos, e os sistemas de propulsão, controle e manobrabilidade já passaram por testes no porto de Hobart, na Tasmânia. A grande quantidade de baterias é um dos principais desafios do projeto, não apenas pelo volume de energia armazenado, mas também pelo gerenciamento térmico e pela segurança de um conjunto desse tamanho em uma embarcação de passageiros.
O projeto começou de uma forma diferente. Encomendado pela Buquebus em 2019, o ferry foi inicialmente planejado com motores a diesel e tinha o nome de Hull 096. Durante a pandemia, porém, o projeto foi redesenhado para receber propulsão totalmente elétrica. A embarcação foi lançada na Tasmânia em maio de 2025 e passou por uma série de testes antes de seguir para a América do Sul.
A previsão é que o China Zorrilla faça três travessias diárias entre Uruguai e Argentina, na linha entre Buenos Aires e Colonia del Sacramento, o caminho mais movimentado entre os dois países, numa viagem que dura 1 hora e 15 minutos com os navios atuais.
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