O Viceroy Seaglider, da fabricante Regent, realizou seu primeiro voo com pessoas a bordo na Baía de Narragansett, em Rhode Island, nos Estados Unidos. O teste marcou um passo importante para o projeto ao tornar o modelo a maior embarcação elétrica de efeito solo (WIG) a voar com passageiros. Assista abaixo:

Durante o teste, dois capitães da Regent permaneceram a bordo enquanto o Viceroy percorreu 596 metros em cerca de 30 segundos, mantendo-se a aproximadamente 10 metros acima da água. O voo representa a conclusão de uma etapa importante dos testes e abre caminho para a fase final de ensaios marítimos do modelo.

O Viceroy é totalmente elétrico e utiliza 12 motores de 120 kW. A embarcação poderá transportar até 12 passageiros e dois tripulantes, atingir aproximadamente 290 km/h e percorrer até 290 km. O modelo tem 16,76 metros de comprimento e 19,81 metros de envergadura.

O seaglider é um ecranoplano – nome que vem do russo экранный эффект, “ecranniy effect” – literalmente “efeito tela”, a forma como é designado o efeito solo na língua. O conceito foi inventado na União Soviética nos anos 1950, pelo engenheiro Alexeev Rostislav Evgenievich, e o país chegou a comissionar um modelo armado, o Lun, que patrulhou as águas do Mar Cáspio entre 1987 e o final dos anos 1990.

O efeito solo acontece quando o fluxo de ar em torno de um objeto interage com o solo, aumentando a sustentação. Isso ajuda aviões convencionais a decolarem e pousarem. Voar sob o efeito solo é mais eficiente do que no ar, então um veículo que se move dessa maneira pode funcionar de forma mais econômica que um avião. Essa economia é particularmente interessante para veículos elétricos como o Seaglider, já que o peso das baterias é um imenso desafio para a aviação elétrica.

Como outros ecranoplanos, quando parado, o Viceroy flutua como um barco convencional. Depois, acelera sobre hidrofólios até ganhar velocidade suficiente para sair da água e passar a voar próximo à superfície. Como ele não pode voar alto, como um avião, seu uso é restrito à superfície da água – tecnicamente ele é capaz de voar sobre a terra, numa superfície plana, mas teria um alto risco de colisões.

Imagem do Viceroy Seaglider da Regent, um WIG (Wing-in-Ground effect) craft, mostrando sua configuração de múltiplos rotores e flutuadores, pairando sobre a superfície da água perto da costa
Viceroy Seaglider | Regent | Reprodução

Como opera próximo da água, o Seaglider não precisa de pista ou aeroporto: pode sair de um cais, navegar, subir sobre os hidrofólios e depois entrar em voo de efeito solo. Isso permite velocidades muito superiores às de uma embarcação convencional, mantendo a operação baseada em infraestrutura marítima. No fim, há algo mais como um barco ultrarrápido do que um avião aquático.

Na rota do Brasil

A empresa brasileira Synerjet já encomendou 10 unidades do Viceroy para operações na América do Sul e Central. As primeiras entregas estão previstas pela Regent para ocorrer a partir de 2029, enquanto os mercados e as rotas iniciais ainda serão definidos.

A ideia inclui transporte de passageiros, cargas e aplicações como turismo, operações industriais e busca e resgate. A capacidade de carga anunciada chega a cerca de 1.600 kg. Entre as possíveis rotas brasileiras citadas estão ligações no litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro. A própria Synerjet aponta, por exemplo, a possibilidade de conectar Santos e Ilhabela em cerca de 20 minutos.

Após o pioneirismo soviético, ecranoplanos foram propostos e construídos em vários países do mundo, mas nenhum projeto chegou a ter a adoção em massa. Um desafio é justamente a baixa altitude do voo: um mar revolto interfere no fluxo de ar, tornando o veículo instável, e ondas extremamente altas, atingindo o casco, podem ter resultados catastróficos. Isso limita seu uso militar ou como veículo de resgate, mas pode ser que ecranoplanos finalmente encontrem seu nicho no turismo litorâneo. Seria, por exemplo, possível reduzir o tempo de viagem entre Angra dos Reis e Ilha Grande de 40 minutos (em lancha rápida, a escuna leva 1h30) para menos de 10 minutos.

Via Autoevolution