
A empresa de aviação executiva Synerjet anunciou sua parceria com a fabricante americana Regent para trazer ao Brasil suas embarcações Viceroy Seaglider.
E quem é mais rápido talvez já tenha notado: empresa de aviação vendendo embarcação? Pois é: o Viceroy Seaglider é um tipo raro de transporte. Trata-se de um ecranoplano (ou veículo de efeito de solo), algo entre um barco e um avião, que voa próximo da superfície, trazendo a velocidade de um avião para o transporte naval.
Ecranoplanos foram inventados na União Soviética e eles incluem o (discutivelmente) avião mais longo já criado, o modelo experimental KM, que tinha 92 metros de comprimento e foi apelidado de Monstro do Mar Cáspio por observadores ocidentais. E também o Lun, um modelo armado com mísseis que patrulhou o Mar Cáspio por anos, frequentemente confundido com o “Monstro”.
Uma aeronave desse tipo funciona com o chamado efeito de solo: o fato de que, quando se voa próximo ao solo (ou à água), a contato entre o ar movido pelas asas e a superfície faz com que seja possível voar com atrito reduzido. Isso permite veículos mais pesados e econômicos do que os aviões equivalentes, e muito mais rápidos que os barcos com o mesmo tamanho.
O Regent Viceroy aproveita essa vantagem para ser um avião elétrico a bateria – um dos grandes desafios da transição energética aérea. Aeronaves a bateria têm uma autonomia limitada, e são geralmente pensadas para serem usadas na cidade, como os eVTOLs.
O modelo que chegará ao Brasil medirá 19,81 m de envergadura, 5,48 m de altura e 16,76 m de comprimento. Terá um peso máximo de decolagem de 6.803 kg, dos quais 1.360 kg serão de carga útil, incluindo até 12 passageiros. Voando entre 7 e 9 metros acima da superfície da água, o Viceroy terá velocidade de cruzeiro de 156 nós (290 km/h), com um conjunto de 12 motores de 120 kW (161 cv). Seu alcance será de 290 km. O Viceroy ainda terá hidrofólios retráteis a serem usado na decolagem e pouso na água.
Falamos assim no tempo futuro porque o ecranoplano Regent já está em pré-venda, com entrega prevista para este ano, mas não houve ainda uma demonstração pública de um protótipo.
As operações propostas são de carga, turismo, usos industriais (como plataformas de petróleo) e missões de busca e resgate. O acordo com a Synerjet inclui um pedido com 10 ecranoplanos Viceroy Seaglider.