O executivo Arno Antlitz, CFO do Grupo Volkswagen
O executivo Arno Antlitz, CFO do Grupo Volkswagen | Volkswagen / Divulgação

Em uma chamada com investidores acompanhada pela Automotive News Europe, Arno Antlitz, CFO do Grupo Volkswagen, detalhou várias partes da estratégia da fabricante com carros elétricos.

E deixou claro por que as montadoras ocidentais parecem hesitar com carros elétricos – mesmo quando elas são a terceira maior produtora mundial na categoria, como é a Volkswagen. Cujo presidente da América Latina recentemente classificou como “oba-oba” a possibilidade de fabricá-los por aqui. A resposta é: lucro.

Segundo Antlitz, há uma diferença considerável na margem de lucro entre modelos convencionais e elétricos. Na plataforma MEB atualizada, pela qual saiu o ID. Polo, os lucros são apenas 70% a 80% do que seriam num modelo equivalente a combustão interna.

Lucros no futuro

Mas os líderes da VW não acreditam que esse será o caso indefinidamente. “Esperamos que os lucros sejam totalmente comparáveis apenas com nossa futura plataforma SSP”, afirmou o executivo.

Anunciada inicialmente em 2021, a Scalable Systems Platform (SSP) é, de forma semelhante ao que a Ford está planejando, uma nova arquitetura pensada para economia, que será usada em toda a linha Volkswagen, incluindo marcas de luxo como Porsche e Audi. A previsão para sua estreia é no ID. Golf em 2029. Esse é o prazo, assim, para a Volkswagen entender que fabricar elétricos compensa tanto quanto fabricar modelos a combustão interna.

O executivo falou também que, por conta disso, a Volkswagen não deve atingir suas metas europeias de redução de emissões até 2028, o que gera uma multa de cerca de €160 milhões por ano. “Até essa plataforma chegar, teremos que fazer concessões entre os volumes de BEVs e multas de CO₂.”

Na mesma chamada, os números de produção de EVs do Grupo Volkswagen no primeiro trimestre foram revelados, com 216.800 BEVs vendidos globalmente, numa queda de 7,7% em relação ao ano anterior, enquanto as vendas como um todo caíram 4%, para 2,05 milhões de unidades. Na Europa, os números aumentaram em 12%, mas, nos EUA, caíram 80% e, na China, 64%.

“Temos que vender mais elétricos do que a demanda natural na Europa”, afirma o executivo, fazendo coro a Emanuelle Capelle, COO da Stellantis, que em janeiro afirmou que “não há demanda natural por elétricos”.

Nosso take

Os executivos têm razão: não há demanda natural por elétricos pelo preço que fabricantes ocidentais querem cobrar.

Via Automotive News Europe