Na mesma semana em que CEO da Ford diz que chineses não podem entrar no país, divisão elétrica é dissolvida

A criação de EVs da Ford será absorvida por um novo departamento, que também irá gerenciar o programa de autonomia BlueCruise
Atualizado: 17 de abril de 2026 08:04
Jim Farley, CEO da Ford
Jim Farley, CEO da Ford | Ford / Divulgação

Como parte de seu “reboot” total do setor elétrico, a Ford acaba de anunciar o desligamento de Doug Field, executivo responsável pelos projetos de eletrificação da empresa desde 2021, e a dissolução de sua divisão elétrica, a Model e, como ela existe hoje. A página da Model e continua no ar, mas um documento que descrevia sua criação e função foi removido.

O que está entrando no lugar é o departamento de Criação de Produtos e Industrialização (Product Creation and Industrialization), que vai unificar o desenvolvimento de todos os produtos avançados, não apenas os elétricos, aos processos industriais. Na prática, ele deve trazer para o mesmo guarda-chuva o Model e o BlueCruise, o programa de direção autônoma da Ford.

A ideia, como o nome indica, é que o design de produtos e o processo industrial estejam no mesmo lugar. Isso tem a ver com a busca de diminuição de custos para se adequar ao momento em que o programa inicial de elétricos da Ford, com veículos caros como a F-150 Lightning, foi considerado um fracasso pela empresa. A meta é que, até 2029, a empresa alcance uma margem de lucro EBIT de 8%. Esse setor será chefiado pelo COO Kumar Galhotra.

O anúncio vem com a promessa que, até 2030, 80% da linha da Ford nos EUA, e 70% no exterior, tenha novos modelos. Isso inclui a aguardada nova picape na Ford Universal Plaftform, a grande aposta da empresa para o futuro, que ela já até comparou ao Programa Apollo. Entre outras soluções adotadas, está a moldagem de múltiplas peças numa só (unicasting), a exemplo do que a Tesla e a Volvo já fazem há algum tempo.

A Ford também diz que “perto de 90%” de seus modelos terão opções eletrificadas em 2030.

O morde e assopra com os chineses

Na última segunda, o CEO Jim Farley disse à Fox News, falou que a China “tem capacidade de cobrir toda a manufatura e todas as vendas de veículos nos Estados Unidos”, seguido por “Não devemos deixá-los entrar em nosso país por causa do impacto econômico”.

Farley falou em subsídios chineses, dizendo que “de forma alguma essa é uma luta justa”. Subsídios não são o maior fator na superioridade chinesa, mas a verticalização do processo, com empresas como a BYD terceirizando muito pouco.

Dois dias depois, com a grande repercussão do comentário, Farley foi ao Detroit Free Press dizer que não era bem por aí e que não é antichinês, mas que apenas acha que deveria haver um plano antes de deixar os chineses entrarem. “Eu tenho muito respeito por esses competidores. Apenas que, em nosso mercado, devemos ser muito cuidadosos.”

De fato, o CEO já chegou a dizer que teve uma “revelação chocante” ao testar um modelo Xiaomi pessoalmente: a de que não queria devolver o carro. Aparentemente, ele acha que os chineses são mesmo melhores, mas os americanos não devem aproveitar isso porque sua empresa sofreria as consequências.

Via Ford On the Road

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