
Em um evento na última semana, no qual anunciou seu novo chip de arquitetura de 4nm, a BYD deu um passo que nenhuma outra fabricante deu até agora: declarou oficialmente que assumirá responsabilidade financeira por qualquer acidente causado enquanto o sistema de condução autônoma God’s Eye 5.0 estiver ativo. Isso inclui não apenas danos a veículos ou propriedades, mas também a pessoas, como despesas médicas.
Segundo a BYD, não há limite máximo de pagamento e não é preciso assinar uma apólice de seguros. A garantia valerá também para veículos que receberem o God’s Eye 5.0 por atualização. O detalhe é que vale por apenas um ano e, por enquanto, apenas na China.
A decisão tem algo de marketing, porque seria esperada de um sistema de autonomia plena. O God’s Eye é um sistema autônomo de nível 2 pela classificação da Sociedade de Engenheiros Automotivos (SAE). Esse é um nível em que o motorista ainda é considerado como o condutor, com o sistema servindo apenas como assistente.
É a partir do nível 3 em que o motorista pode largar as mãos do volante – ainda que, no nível 3, tenha que estar pronto para assumir o controle a qualquer momento. Apenas a Mercedes-Benz e a BMW chegaram a oferecer veículos nesse nível e, enquanto a experiência durou, assumiram a responsabilidade – mas voltaram atrás.
“Assumindo as responsabilidades dos níveis 3 e 4 logo no começo, enquanto estamos no estágio do nível 2, mostra a absoluta confiança da empresa em sua própria tecnologia”, afirmou o presidente da BYD, Wang Chuanfu durante a apresentação.
Em contraste, o sistema autônomo mais famoso de todos, o Tesla Full Self Driving, mudou de nome em 2024 para Full Self Driving (Supervised), para evitar processos responsabilizando a Tesla por acidentes causados em seu uso, apesar do nome literalmente ser “autodireção plena”.
A BYD também afirmou que o God’s Eye virá ao Brasil em 2027, com novos modelos equipados com LiDAR, como o novo Dolphin Mini. Até lá, a empresa deverá decidir se aplicará a mesma política usada na China aos veículos circulando pelo Brasil.
Via BYD
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