
O executivo da Toyota Koji Sato tem um plano para salvar a indústria japonesa do momento de crise. Mas, para isso, todos os concorrentes terão que se unir.
CEO e presidente da Toyota até abril, quando passou os cargos para Kenta Kon, Sato “caiu para cima”, passando a vice-presidente e assumindo o novo cargo de CIO (executivo chefe industrial), responsável por lidar com a parte da produção. Por essa razão, está sendo chamado de “czar dos carros” da Toyota. Ele também é presidente da Associação Japonesa de Fabricantes Automotivos (JAMA).
Em entrevista ao Automotive News, o executivo afirmou que a indústria enfrenta uma “tempestade de um século” (isto é, que acontece uma vez por século). Também afirmou que, “Se nada mudar, não vamos sobreviver”.
O executivo se refere às dificuldades da indústria não só no Japão, como no resto do mundo. A Toyota segue como o maior fabricante automotivo mundial, com 11,3 milhões de unidades vendidas em 2025. Mas a marca, como quase todos os fabricantes estabelecidos, salvo a Hyundai, começou 2026 em queda.
Em maio, pela primeira vez, os chineses venderam mais que os japoneses na Europa. Aqui no Brasil, a BYD ultrapassou a Toyota e a Honda em emplacamentos em janeiro, e manteve sua posição.
Um padrão japonês

“Neste momento, o tema mais importante enfrentado pela indústria automotiva japonesa é melhorar a competitividade internacional”, afirmou Sato ao AN. “Queremos criar áreas de cooperação estratégicas para melhorar a eficiência e com isso acelerar a coexistência nas áreas essenciais de competitividade”.
A ideia de Sato é criar um “Padrão Japonês” para componentes automotivos. Todas as indústrias nacionais usariam componentes compartilhados, desde o tipo de aço para prensagem até cabeamento, peças plásticas e parafusos. Segundo ele, isso diminuiria custos e permitiria à indústria investir no que importa, que é criar novas tecnologias e aumentar a produtividade.
Ele dá um exemplo dos chicotes de fios: segundo o executivo, existem 70 mil variações diferentes produzidas para atender a todos os fabricantes e modelos no Japão. Essas são peças que o consumidor nem vê, ele lembra, dando a entender que ninguém ligaria se fossem iguais em todos os carros.
“Temos um forte senso de crise, que a indústria japonesa está num período massivo de transição”, afirmou o executivo. “Agora é a hora exata para nos desenvolvermos amais e evoluir com os desafios e inciativas de reforma que a indústria automotiva como um todo deve enfrentar.”
Além da padronização de peças, o esforço também deve incluir melhorar a cadeia logística japonesa, garantir acesso a matérias primas críticas, e criar uma economia circular de reciclagem.
“Estamos realmente conversando a respeito do que podemos fazer juntos, porque vemos o que outras indústrias ou indústrias de outros países e outras partes do mundo estão melhor organizadas que a gente”, falou Ivan Espinosa, CEO da Nissan, ao AN. “Iremos ver muito mais colaboração entre os OEMs japoneses. ”
Sato ainda afirmou que não é a China a razão para as mudanças propostas por ele. Mas também afirmou que os japoneses devem aprender dos chineses sua velocidade de desenvolvimento e a adoção de novas tecnologias. Ele ainda afirmou que o Japão tem um repositório de “conhecimento tácito”, sua expertise em manufatura por décadas de produção, que precisa ser sistematizado e preservado antes que a inteligência artificial transforme fundamentalmente a produção.
Via Automotive News
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