
Em uma reunião para investidores, a Toyota afirmou que espera ter um prejuízo anual de US$ 4,3 bilhões (~R$ 21 bi) neste ano por conta da Guerra do Irã e do consequente bloqueio do Estreito de Ormuz. No total, o lucro deve cair em 20% em comparação a 2025, uma queda pelo terceiro ano consecutivo.
As causas do prejuízo são principalmente o aumento nos valores de componentes, responsáveis por US$ 2,6 bilhões do total. Os outros US$ 1,7 bi são por conta da diminuição nas vendas.
O aumento no valor do petróleo significa aumento de custos com componentes como pneus, porque a borracha sintética é feita com petróleo. O alumínio vindo do Oriente Médio também é crucial para a produção japonesa. Parte das perdas em vendas tem a ver diretamente com o bloqueio do comércio para o Oriente Médio, que é um dos mais importantes mercados consumidores da Toyota.
Apostas nos híbridos
Em unidades produzidas, a Toyota é a maior montadora do mundo por ampla margem. Em 2025, ela vendeu 11,3 milhões de unidades, contra 9,3 do segundo lugar, o Grupo Volkswagen.
No ano passado, a Toyota foi uma das que recuaram de seus planos de eletrificação total, chamando isso de “abordagem de múltiplos caminhos” e investindo mais em híbridos – nos quais ela foi pioneira com o Prius, lançado há quase 30 anos.
Mas a aposta talvez tenha sido de curto prazo. Atualmente, existe o fator da pressão em favor da eletrificação por conta do aumento dos combustíveis, uma pressão que já tem sido sentida em diversos países. A própria Toyota parece ter sido atingida pelo incentivo, mais que dobrando suas vendas de elétricos puros no primeiro trimestre, para 79 mil unidades.
Segundo o executivo Takanori Azuma, que fez a apresentação, a Toyota ainda assim considera que a situação a favorece. Ele prevê que a marca venda 5 milhões de híbridos este ano, comparados a 4,34 milhões no ano passado (elétricos puros foram 600 mil). Mas diz que isso não será o suficiente para compensar as outras perdas.
Via Reuters e The Guardian