
Na sua coletiva de imprensa mensal, a Anfavea comentou sua campanha contra os kits de fabricação CKD e SKD e diversas movimentações recentes do mercado – inclusive o explosivo aumento nos emplacamentos de eletrificados, que ficou em 272% pelos números da ABVE.
Por meio de seu presidente e porta-voz, Igor Calvet, a associação, que reúne os fabricantes tradicionais de carros e autopeças do Brasil, celebrou que 40% dos elétricos vendidos no Brasil hoje tenham produção nacional.
Por outro lado, se mostrou alarmada com o aumento das importações de um ano para o outro, e da participação chinesa nessas importações. A China superou a Argentina como principal exportador para o Brasil, subindo 81,6% em um ano, enquanto a segunda caiu 20,2%. Vários fabricantes ocidentais, que são membros da associação, possuem fábricas no país vizinho.

A Anfavea também comentou sobre a Lei do Carro Sustentável e o aumento nas vendas dos modelos enquadrados por esse benefício. Eles subiram 70,2% no varejo desde a implantação da lei.

Aqui cabe uma opinião nossa: a lei é uma imensa jabuticaba, nos tornando o único país do mundo com, na prática, um incentivo à combustão interna contra elétricos, sob um argumento que a própria Anfavea já provou incorreto, o de que veículos flex sejam sustentáveis. A ação do governo federal beneficiou o time que já estava ganhando e é possível que elétricos e híbridos tivessem disparado ainda mais se ela não tivesse sido criada. A lei inclui elétricos como sustentáveis, mas torna impossível seu benefício enquanto não são totalmente nacionalizados, e, convenientemente, entrou em ação logo antes da chegada da BYD. Falando nisso…
Kits CKD e SKD e o boom dos elétricos
Ao final da apresentação, os jornalistas tiveram a chance de fazer perguntas a Calvet. A primeira delas se referia aos kits CKD e SKD que fabricantes chineses estão usando em sua entrada no país. O jornalista quis saber o que a Anfavea tinha a dizer sobre esses kits quando vários de seus membros estão fazendo uso do recurso em suas parcerias com chineses – por exemplo a Renault (com a Geely), a General Motors (com a Baojun) e a Stellantis (com a Leapmotor).
Calvet deu uma resposta diplomática: “Pessoalmente, e a Anfavea também, não acreditamos que o modelo de produção CKD e SKD seja ruim em si mesmo. Ele tem uma importância grande, porque as empresas começam a testar o mercado com modelos mais simples de produção. Geralmente com volumes menores. E ao ter volumes menores você testa o mercado, avalia o mercado e avalia o quanto isso consegue ser produzido no país. A Anfavea sempre foi contra termos modelo CKD e SKD em grandes volumes e com redução de impostos. Nós temos que estar atentos à sofisticação de nossa produção.”
Sob esse argumento, a Anfavea já mandou uma carta ao presidente Lula pedindo que não desse mais isenção de impostos aos kits chineses. E conseguiu o que queria.
Outra pergunta foi enviada pelo evdrops. Pedimos à Anfavea para comentar sobre qual o motivo que eles enxergam no aumento explosivo de carros elétricos, puros em particular, e se seus membros estão planejando disponibilizar mais de seu portfólio elétrico no Brasil.
Igor respondeu: “O que nos surpreende não é a tendência. O que nos surpreende é a velocidade. A tendência nós já apontávamos, temos falado disso há meses. Os emplacamentos têm crescido muito em função da realização ou concretização dos investimentos. E quando isso acontece, há um movimento por parte dos associados da Anfavea de terem em seu portfólio de produtos esse tipo de tecnologia. Esse crescimento é derivado, creio, de um apetite do consumidor, sem dúvida nenhuma. E também do aumento da oferta. O consumidor quer e as empresas estão ofertando cada vez mais esses produtos.
E fez uma previsão (não está claro se o prazo é para os EVs dominarem de vez): “E então chamo sua atenção para: como o consumidor quer e as empresas têm ofertado e começado a produzir cada vez mais esses produtos no Brasil. Talvez, daqui a 2, 3, 4 anos, isso seja um tópico da nossa pauta aqui nas nossas runiões. Que não seja um fenômeno novo ou uma tendência, mas uma realidade do mercado.”