
A gente já havia visto que abril foi o melhor mês de todos os tempos em vendas de carros elétricos: pelos dados da ABVE, houve um aumento de 272% nos elétricos puros (BEV) em comparação a abril de 2025, e 161% considerando todos os eletrificados. Agora, com os dados das vendas dos carros em geral pela Fenabrave, dá para ver como esses números se comparam no mercado geral brasileiro.
Para isso, preparamos vários gráficos interativos para você conferir esse avanço vertiginoso. Clique em qualquer parte do gráfico para ver o número na parte escolhida.
Um aviso óbvio: a maioria dos carros ainda é a combustão interna, todos sabem. Precisamente: 76,92%.
As vendas de elétricos e eletrificados em gráficos
Começando pelo panorama geral. Em abril de 2025, os eletrificados representavam 9,95% dos novos emplacamentos no Brasil. Dando uma “roubadinha” e incluindo híbridos leves (ou MHEV, que não são eletrificados segundo a ABVE), o total chegava a 12,88%. Então, a maioria dos eletrificados já era do tipo plug-in (8,18%), categoria com todos os carros que podem carregar na tomada (BEV, PHEV e EREV). Híbridos então dominavam, acima dos elétricos.
Chegando a abril de 2026, temos 20,48% de eletrificados, dos quais 16,34% são plug-in. Incluindo os MHEV, chegamos a 23,8% – quase um em quatro carros novos brasileiros. Elétricos puros superaram os híbridos, o que podemos ver no próximo gráfico.
Essa é a distribuição por tipo de motorização. Aqui é possível ver a queda dos híbridos leves – eles começaram em 3,33%, acima dos 3,08% dos elétricos e dos 1,37% dos híbridos convencionais. Terminaram como a categoria menor, com 2,59%.
Os elétricos são a maior mudança do ano, passando de terceiro para primeiro lugar entre as categorias, mais que triplicando em sua proporção no mercado nacional, indo dos já citados 3,08% para 9,33%, e somando mais que todos os eletrificados não plug-in. Estamos quase celebrando 1 em cada 10 carros novos brasileiros sendo elétrico.
Por fim, podemos pegar os números brutos. E aqui dá para ver de forma mais dramática o crescimento dos elétricos e, em menor grau, híbridos plug-in.
O que deu certo recentemente?
Em todos os gráficos é possível ver uma clara aceleração começando em novembro de 2025. Estes são alguns fatos centrais que provavelmente influenciaram esse crescimento:
- 24 de outubro de 2025: entrega dos primeiros modelos produzidos nacionalmente pela BYD na Bahia – os primeiros elétricos produzidos em massa no Brasil desde os tempos de Amaral Gurgel.
- 29 de outubro de 2025: estreia do Omoda 5 (HEV) e Jaecoo 7 (PHEV).
- 4 de novembro de 2025: Leapmotor estreia no Brasil;
- 10 de novembro de 2025: estreia do Geely EX2 no Brasil, atualmente o único concorrente capaz de fazer frente ao domínio da BYD.
- 11 de novembro de 2025: estreia da MG Motor no Brasil;
- 22 a 30 de novembro de 2025: O Salão do Automóvel de São Paulo acontece pela primeira vez desde a pandemia; muitas marcas chinesas anunciam novidades e estreias no Brasil;
- 4 de março de 2026: primeiras unidades nacionais da GM no Ceará são entregues; o Spark atualmente é o quarto carro elétrico mais vendido no Brasil.
Como o Brasil se compara com o resto no mundo?
Uma taxa de veículos plug-in de 16,34% coloca o Brasil à frente de países como a Itália (12,5%), Austrália (12,6%) e, sem muita surpresa, os Estados Unidos (9,1%). Mas levamos apenas bronze na América Latina: o Uruguai marca 20,2% e a Costa Rica, 17%. (Os dados internacionais são do fechamento de 2025; fonte).
Não há realmente um teto para o quanto esse número pode crescer. Na Noruega, a participação dos veículos plug-in em 2025 fechou em 97,4%. Carros incapazes de carregar na tomada foram praticamente extintos nas concessionárias.
Nosso take
No caso do Brasil, a malfadada infraestrutura segue um problema, mas menor do que dizem: no uso urbano cotidiano, as pessoas podem carregar em casa – e agora, começando por São Paulo, pessoas morando em condomínios com síndicos incompreensivos também podem carregar. E o etanol não é realmente um concorrente.
Não é mistério que brasileiros amam tecnologia. Fomos um dos países pioneiros em adotar a internet, celulares e redes sociais. O rastilho de pólvora desse gosto por novidade já está aceso.