
A Secretaria de Indústria e Segurança, parte do Departamento de Comércio do governo federal dos EUA, emitiu ontem uma ordem contra a Polestar, proibindo-a de vender novos veículos no país. A marca, sediada na Suécia, é uma subsidiária da Volvo, criada em 2017 para produzir veículos elétricos mais esportivos. E ela é, como a Volvo, propriedade do Grupo Geely.
A justificativa é que os serviços online instalados nos carros da marca violam a Connected Vehicle Rule (Regulamento de Veículos Conectados), que bane qualquer veículo com serviços online de empresas ligadas à Rússia ou à China. A Volvo conseguiu uma dispensa especial para continuar operando, mas a Polestar não teve essa sorte (ou talvez, pela linguagem em seu comunicado, não tenha feito questão).
Regra do governo Biden
A regra não é uma criação da administração Trump, mas uma decisão do governo do democrata Joe Biden, promulgada literalmente em sua última semana, em 14 de janeiro de 2025.
Em seu texto, ela afirma: “A BIS determinou que essas transações [i.e., as vendas desses veículos] constituem um risco à segurança nacional, porque empresas desses países podem ser obrigadas a fornecer dados ou permitir acesso remoto a veículos conectados nos EUA”.
A regra específica é a seguinte:
- Ano-modelo 2027: Proíbe a venda de veículos conectados por fabricantes de veículos conectados (sic) de propriedade de, ou controladas por, ou atuando sob a jurisdição ou direção da China ou Rússia, ou veículos usando o software coberto por esses;
- Ano-modelo 2030 (ou 1 de janeiro de 2029, para componentes não ligados ao ano-modelo): Proíbe a importação de hardware VCS [sistemas de conexão veicular] de empresas de propriedade de, ou controladas por, ou atuando sob a jurisdição ou direção da China ou Rússia.
Assim, a regra proíbe até mesmo componentes de qualquer sistema conectado à internet que possam estar de alguma forma ligados à China ou Rússia, com um prazo ainda a vencer.
Não são só empresas de propriedade chinesa como a Polestar que tiveram problemas com a regra: o Lincoln Nautiulus e o Buick Envision são importados da China por fabricantes americanos (a primeira é uma submarca da Ford e a segunda, da GM), e irão precisar da mesma dispensa da Volvo.
Basicamente toda a indústria terá uma baita dor de cabeça com a parte do hardware, e mesmo em veículos a combustão interna.
Novo foco inclui a América Latina
O SUV Polestar 3 é atualmente fabricado nos EUA, numa fábrica na Carolina do Sul. Parte dessa produção é enviada para a Europa, e, em tese, poderia continuar a ser fabricada por lá, mas parece ser improvável.
Em um comunicado à imprensa, a Polestar afirma que continuará a vender os estoques presentes no país (o que é permitido, já que a decisão é sobre carros fabricados a partir de agora) e dar suporte aos consumidores, inclusive mantendo a rede de serviços online. Mas também que está ampliando seu foco na Europa, movendo a produção para o continente – o que aponta para o fim da fábrica nos EUA. Ainda diz que apenas 6% das vendas da marca estão nos EUA.
O CEO da Polestar, Michael Lohscheller, afirmou: “A indústria automotiva está entrando em uma nova fase, baseada em dinâmicas regionais. (…) Em adição (à Europa) iremos continuar a investir em mercados nos quais temos oportunidades para crescer, como o Sudeste Asiático, Leste Europeu, América Latina e Canadá. A Polestar continua a desafiar players maiores e mais estabelecidos graças à nossos carros extraordinários e nossa linha em expansão.”
Via Polestar
Deixe um comentário