
Na última quarta (5 de agosto), em um evento para falar da agenda de cortes de impostos de seu governo, realizado no cassino Red Rock, em Las Vegas , o presidente dos EUA, Donald Trump, soltou suas opiniões sobre carros elétricos e seus donos.
Abaixo o vídeo completo naquela rede que um dia se chamou Twitter:
“Nós tivemos mil anos de gasolina (!), e é o que as pessoas preferem. E, você sabe, eu encerrei o mandato elétrico… não quero falar muito disso porque Elon não estava exatamente exultante comigo (amamos Elon!). Eu o encerrei porque ele dizia que, em certo tempo, como 2030, todo mundo deveria ter um carro elétrico. Mesmo se você não tivesse onde carregar.”
“Você já viu os sinais? Você está dirigindo ao lado de um carro elétrico. Eles têm uma doença, você sabe, é uma doença que é chamada… como… eles se dão mal, estão dirigindo e descobrem que a bateria está baixa e começam a pensar a respeito de que está em três quartos… ok… perde um pouco [de bateria] e eles dizem ‘onde vou [carregar]?’”.
“E você dirige na estrada e vê um sinal ‘carregamento elétrico’, com uma seta. E diz 89 milhas [143 km] à direita… Essas pessoas são malucas! [risos]”
Trump continua dizendo que gosta de carros elétricos, que são 7% das vendas mesmo com os impostos e tudo mais, mas que os EUA têm mais petróleo e gasolina que qualquer país do mundo: “Agora temos a Venezuela e tal… Agora temos 60% da gasolina e petróleo no mundo, inclusive a Venezuela. Pense sobre isso”.
Nosso take
A leitura mais generosa é que o presidente está falando da ansiedade de autonomia – enquanto seu governo fez tudo para evitar resolvê-la. O governo Trump bloqueou verbas para infraestrutura de eletrificação já liberadas e propôs acabar com qualquer incentivo federal à infraestrutura de recarga.
Fora isso, Trump também decidiu cortar um incentivo de US$ 7.500 para veículos elétricos (o mandato que ele menciona com orgulho) logo no começo de seu governo, quebrando o mercado de EVs no país. Ainda eliminou o controle federal sobre gases-estufa, ameaçou processar estados por tentarem manter seus incentivos, proibiu a palavra “mudanças climáticas” em seu Departamento de Estado e até mesmo pagou multa para cancelar um projeto de energia eólica e criar usinas a carvão no lugar.
Tudo em nome de uma suposta eficiência dos combustíveis fósseis, que simplesmente não existe. A verdade é que, fora o óbvio lobby da indústria de petróleo, que doou profusamente para a campanha de Trump, a razão mesmo – a que move os eleitores – é a guerra cultural.
Nos Estados Unidos – em que pese o citado amigo Elon Musk e suas ideias – o combate aos carros elétricos se tornou parte do catálogo de causas conservadoras. Fumaça se tornou motivo de orgulho, com pessoas modificando caminhonetes para emitir uma coluna preta quando andam perto de carros elétricos (rolling coal).
Entre tantas ideias os EUA derramam sobre a América Latina, esperamos que a politização dos veículos elétricos não venha a dar frutos por aqui. Por enquanto, iniciativas brasileiras. como o direito da recarga, foram bipartidárias.
Talvez a maioria das pessoas esteja mesmo com a cabeça enterrada na areia quando o tema é a gravidade das mudanças climáticas e a urgência de buscar soluções. Mas também acontece de às vezes – e isso é algo que os brasileiros já sabem – a solução melhor para o ambiente ser também a mais econômica.
Via Autoblog
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