A Ceer Automotive, primeira fabricante nativa de automóveis da Arábia Saudita, revelou seus dois primeiros modelos: o SUV e o sedã elétricos Exobot. Criada em 2022 como uma joint venture entre o Fundo de Investimento Público (PIF) saudita e a empresa de tecnologia taiwanesa Foxconn, a empresa pretende transformar os carros em uma das vitrines da indústria automotiva que o país tenta desenvolver.

A nova fabricante é parte da Visão 2030 – o plano saudita em andamento, que inclui algumas partes exóticas, como o projeto Neom, uma cidade linear no meio do deserto. Já a Foxconn é bem pé no chão: produzindo para empresas como a Apple, é simplesmente a maior indústria de componentes eletrônicos do mundo.

Os veículos serão produzidos em uma nova fábrica na Cidade Econômica Rei Abdullah a partir de janeiro de 2027, com as primeiras entregas previstas para março. A plataforma e a arquitetura elétrica são desenvolvidas pela Foxconn, enquanto a Rimac fornecerá o motor traseiro e a Hyundai Transys, os motores dianteiros. A Ceer também mantém um acordo com a BMW envolvendo engenharia e desenvolvimento de produtos.

O quase supercarro saudita

Os números, porém, variam conforme a configuração. O SUV foi apresentado com dois motores, tração integral, bateria de 112 kWh e autonomia estimada de até 560 km pelo ciclo NEDC (uma versão anterior e menos rigorosa do que o atual WLTP). O sedã promete até 670 km no mesmo padrão. Ambos utilizam arquitetura de 800 volts e podem carregar de 10% a 80% em 30 minutos. A potência fica entre 850 cv e 1.100 cv na versão topo de linha, que pode acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 2,1 segundos (as outras ficam em “apenas” 2,6 s).

O SUV também foi desenvolvido para uso fora de estrada, enquanto os dois modelos adotam carroceria sem coluna B, grandes portas tipo asa de gaivota e um teto de vidro de grandes dimensões. O desenho tem formato de cunha e barras de iluminação com 32 elementos, referência ao ano de unificação da Arábia Saudita, em 1932.

A empresa planeja lançar outros cinco modelos até 2030, incluindo sedã, SUV e SUV-cupê do segmento D em 2027 e modelos menores em 2028. Esses futuros carros poderão ser homologados para mercados globais, embora o plano atual até 2040 esteja concentrado na Arábia Saudita e nos demais países do Golfo.

Mesmo a Arábia Saudita sabe que o futuro está nos EVs

A Ceer pretende atingir 45% de conteúdo local até 2034 e criar 30 mil empregos diretos e indiretos. Atualmente, 46% dos seus 2.300 funcionários são sauditas. O projeto também conta com a proximidade de fábricas e fornecedores instalados na região, incluindo a unidade da Lucid e empresas ligadas à Hyundai.

A Ceer diz que os primeiros modelos foram homologados para o mercado do Golfo e que sua estratégia comercial inicial permanece concentrada nessa região. A possibilidade de exportação existe para os próximos veículos, mas a empresa ainda não apresentou planos específicos para nenhum mercado.

Por motivos algo óbvios – trata-se de um petroestado no qual a gasolina custa metade do que no Brasil – a participação de eletrificados na Arábia Saudita é baixa, com 4,8% do mercado em agosto. Compare com os 23,8% de eletrificados registrados por aqui na última contagem.

Vendo de outra forma, outro famoso petroestado atende por “Noruega”. Ela tem 50% de suas receitas vindas do petróleo e quase 100% de elétricos nas vendas de carros novos. Começar por modelos de luxo é um padrão que já foi observado mesmo no Brasil. Vender o veneno não significa sempre consumi-lo.

Via Autocar/Electrek