
Em agosto, quando a Ford revelou que sua aguardada caminhonete teria o não muito sonoro nome “Fathom”, ela afirmou também que o preço inicial seria menor que os US$ 30 mil inicialmente prometidos: US$ 28.350 (~R$ 155 mil). Agora, esse preço foi confirmado e o valor do topo da linha também teve sua sugestão. E basicamente se iguala à caminhonete a combustão compacta Maverick, que é vendida no Brasil.
Em uma chamada com investidores na terça-feira, Andrew Frick, o presidente da divisão Ford Model e (que unificou os esforços em EVs da empresa), respondeu aos presentes: “O preço inicial de US$ 28.350 é exatamente isso. Teremos uma linha que irá até o topo dos US$ 30 mil. E teremos algumas ofertas diferentes nessa faixa”.
Em comparação, a Maverick, que tem uma versão híbrida convencional (HEV), hoje fica entre US$ 28.150 (~R$ 154 mil) e US$ 37.155 (~R$ 204 mil) no país de origem.
Mais barata que as chinesas
Por aqui, a Maverick é importada e vendida entre R$ 209.990 e R$ 229.999. Mas a versão mais básica disponível é a Lariat, que em casa sai a US$ 34.760 (~R$ 191 mil). Assim, ela é vendida por um preço muito próximo do da matriz, apenas 10% mais caro. Se a Ford decidisse trazer a Fathom mais básica, adotando essa mesma proporção, custaria por volta de R$ 170 mil.
Por esse preço, a Fathom seria uma oferta para revolucionar um mercado que está precisando de revolução – comerciais leves elétricos mal existem por aqui.
Segundo a ABVE, considerando dados de janeiro a setembro, a caminhonete elétrica mais vendida foi a Geely Riddara RD6. Ela sequer é trazida pela Geely, mas via importadores independentes, custando entre R$ 249.990 e R$ 359.990. Apenas 46 unidades foram vendidas por todo esse período. Se falarmos em híbridos plug-in, temos a BYD Shark, a R$ 344.990 – que ainda assim só vendeu 502 unidades.
Uma nota, porém: a Maverick têm um preço razoável no Brasil porque vem do México, com o Mercosul tem o acordo comercial ACE 55, livrando de taxas de importação. Inicialmente, a Fathom será fabricada nos EUA, então pode chegar aqui pagando a tarifa de 35%, salvo outro acordo ou outra jogada da Ford.
Mas. mesmo se o preço líquido fosse acrescido de 35%, estaria em cerca de R$ 230 mil, ainda abaixo das opções chinesas. E isso não seria o caso, porque o preço seria o valor da montadora no manifesto de importação, não o preço de concessionária nos Estados Unidos, que é bem maior.
O Programa Apollo da Ford
E a revolução também é para a Ford. A Fathom é o primeiro modelo na Universal Electric Platform.
Esse projeto, que chegou a ser comparado pelo CEO Jim Farley ao Programa Apollo (aquele que levou humanos à Lua), é uma resposta à percepção vinda depois do fim dos subsídios para EVs nos EUA: a de que o futuro estava em cortar custos e preços.
Isso veio ao mesmo tempo em que a Ford aposentou a F-150 Lightning, que era a caminhonete elétrica mais vendida dos EUA, mas não estava se bancando, segundo a empresa. Ela custava quase o dobro da Fathom: saía a partir de US$ 49.780 (~R$ 273 mil) e chegava a astronômicos US$ 87.090 (~R$ 477 mil).
Como outras montadoras do país, a Ford aproveitou o fim dos controles de emissões por Trump para vender veículos grandes e poluentes, mas nenhuma montadora em sã consciência vê o futuro longe dos elétricos.
Via electrek
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