Mulher negra carregando um carro elétrico num carregador doméstico
O retorno dos que não foram | Sevadis / Unsplash+

A Bright Consulting publicou seu relatório mensal de vendas hoje, com notícias não exatamente positivas, mas não exatamente um desastre. No geral, houve queda de 5,5% nas vendas de veículos leves em relação a setembro, com 253.952 emplacamentos versus 268.768, e uma alta de 2,4% em comparação a 2025.

Os elétricos tiveram também queda, mas menor que a queda geral no mercado: foram de 22.119 unidades em setembro para 21.577 em outubro, o que representa -2,45%.

Isso é uma “boa” notícia porque, de agosto para setembro, houve um crash de 18,5%. O resultado atual é o pior desde junho, mas na verdade ele significa uma grande retomada quando comparado à primeira quinzena de outubro: então, a expectativa era de que houvesse um segundo crash de 17%, e elétricos ficassem em menos de 20 mil unidades.

Segundo a própria Bright, os problemas de abastecimento dos EVs, que estavam causando a baixa nos emplacamentos, foram resolvidos na segunda quinzena, na qual ocorreram 59,5% das vendas de elétricos no mês, com 12.830 emplacamentos. Compare a 8.747 na primeira quinzena.

Momento dos híbridos

Um outro detalhe não exatamente para celebrar, mas não tampouco para lamentar, é que híbridos plug-in (contando PHEVs e EREVs) superaram os elétricos pela primeira vez desde janeiro. Os números foram quase idênticos: 21.754, dos quais 974 foram EREVs (fazendo com que BEVs ainda sejam a categoria individualmente mais numerosa).

Ainda que seja possível ver a recuperação relativa, em números absolutos dá para perceber o momento de relativa retração, particularmente para elétricos puros, que vivemos agora:

Gráfico com as vendas de eletrificados em diferentes categorias, números absolutos, entre outubro de 2025 e outubro de 2026
Emplacamentos de eletrificados no último ano | Gráfico: evdrops
Gráfico com as vendas de eletrificados em diferentes categorias, números absolutos, entre outubro de 2025 e outubro de 2026
Emplacamentos de eletrificados no último ano | Gráfico: evdrops

A BYD avança entre CNPJs

A BYD, como de costume, não tem muito o que lamentar entre más notícias gerais. O Dolphin Mini caiu, de 9.385 unidades para 8.432, mas o BYD Dolphin voltou aos 15 veículos leves mais vendidos, com 5.273 unidades. E nisso veio uma baita surpresa: a maioria dessas unidades foi em vendas diretas: 57,6%. Nunca antes um elétrico puro teve mais vendas diretas que vendas no varejo.

#ModeloEmplacamentosVarejo% VD
1FIAT Strada14.5695.03665,40%
2Hyundai Hb209.03699289,00%
3BYD Dolphin Mini8.4325.84130,70%
4FIAT Argo8.3311.81778,20%
5VW Polo8.1252.67667,10%
6VW T Cross7.5673.88248,70%
7VW Tera7.4903.44354,00%
8GM Onix7.0163.47350,50%
9Renault Kwid6.3482.08667,10%
10Toyota Yaris Cross6.2434.28831,30%
11GWM Haval H65.9965.7424,20%
12Hyundai Creta5.7773.19444,70%
13GM Onix Plus5.77090884,30%
14BYD Dolphin5.2732.23757,60%
15FIAT Toro5.1983.13039,80%

Com essa mudança de perfil, a BYD agora tem 39,90% de vendas diretas. Ela já foi a primeira montadora no varejo, mas caiu para a terceira posição, mas viu sua participação de mercado subir de 8,2% em setembro para 9,5% em outubro. A Geely, que segue em crise de abastecimento e vendeu quase metade no total do que havia vendido apenas no modelo EX2 em agosto, também saltou em vendas diretas, com 32,2% de suas unidades. Assim, ambas as chinesas agora superam a Toyota em vendas diretas.

#MarcaTotalVarejoVD% Mercado% VD
1FIAT46.62115.90530.71618,40%65,90%
2VW36.24514.83021.41514,30%59,10%
3GM28.25811.80016.45811,10%58,20%
4BYD24.11614.4889.6289,50%39,90%
5HYUNDAI16.8885.61711.2716,70%66,70%
6TOYOTA14.95710.7124.2455,90%28,40%
7RENAULT12.3714.3947.9774,90%64,50%
8GWM10.71510.3573584,20%3,30%
9JEEP9.5094.2805.2293,70%55,00%
10HONDA8.1262.7555.3713,20%66,10%
11NISSAN5.7852.1993.5862,30%62,00%
12CHERY5.7545.4752792,30%4,80%
13FORD4.3112.5461.7651,70%40,90%
14GEELY3.1412.1311.0101,20%32,20%
15JAECOO2.9562.95601,20%0,00%

Isso é interessante porque vendas diretas são feitas quase totalmente para pessoas jurídicas, e cerca de metade delas para locadoras, enquanto as vendas no varejo são as para consumidores comuns, incluindo motoristas de aplicativos.

Esse movimento na direção das pessoas jurídicas aponta para a provável maior causa do desabastecimento: o Programa Move Brasil, que concedeu financiamentos especiais para carros elétricos para uso comercial, levando a uma corrida às compras para os profissionais que se qualificaram.

Para terminar, mais um gráfico ainda, agora apontando a desaceleração do crescimento anual dos BEVs. Ele ficou em 172,78%: pode ser um número vultoso na média mundial, mas fica bem abaixo do recorde de 273,74% em abril.

Crescimento anual dos BEVs mês a mês, entre outubro de 2025 e outubro de 2026
Crescimento anual dos BEVs, mês a mês | Gráfico: evdrops
Crescimento anual dos BEVs mês a mês, entre outubro de 2025 e outubro de 2026
Crescimento anual dos BEVs, mês a mês | Gráfico: evdrops