Sedã elétrico BYD Seal na cor lilás circulando em área urbana, equipado com sensores para testes de direção autônoma
BYD Seal inicia testes com nova plataforma de direção autônoma para reduzir custos de produção e ampliar a tecnologia de condução inteligente | BYD/Divulgação

A China anunciou que reduzirá de 13% para 9% o reembolso do imposto sobre valor agregado (IVA) aplicado à exportação de veículos de nova energia (NEVs), a partir de 1º de abril de 2027, o que pode ter um impacto no preço dos carros elétricos e híbridos plug-in chineses no mundo inteiro.

A medida, divulgada pelo Ministério das Finanças e pela Administração de Tributação do Estado, abrange carros elétricos a bateria, híbridos plug-in, ônibus elétricos e cavalos mecânicos para caminhões elétricos.

A decisão ocorre em um momento em que as montadoras chinesas dependem cada vez mais das exportações para compensar a disputa extremamente acirrada em um mercado doméstico em retracão. Segundo a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM), as exportações de NEVs cresceram 130% nos primeiros nove meses de 2026, chegando a 4 milhões de unidades. Em setembro, os embarques avançaram 160% na comparação anual, enquanto as vendas internas recuaram 9,4%.

Na prática, o reembolso permite que os exportadores recuperem parte dos impostos pagos ao longo da produção e da comercialização no mercado chinês. Com a redução, as empresas receberão uma restituição menor por veículo exportado, o que pode diminuir suas margens ou pressioná-las a rever os preços nos mercados internacionais. 

Neste cenário, os bons resultados recentes da BYD devem ser colocados à prova. O Deutsche Bank estima que a mudança poderá reduzir o lucro líquido da empresa em cerca de 5.000 yuans por veículo exportado, o equivalente a aproximadamente R$ 3.700, em conversão direta. O impacto, porém, só deve começar no segundo trimestre de 2027. Nos três primeiros trimestres de 2026, as vendas internacionais da fabricante somaram cerca de 1,34 milhão de veículos, aproximadamente 43% de seu volume total de vendas no atacado.

A pressão também deve atingir empresas como a Geely, segunda colocada em vendas, Chery, SAIC, GWM, Changan, Leapmotor, GAC e Xpeng. O corte faz parte de uma revisão mais ampla dos incentivos fiscais chineses para produtos de energia limpa. O país já eliminou o reembolso para produtos fotovoltaicos em abril de 2026 e prevê extinguir o benefício para baterias a partir de janeiro de 2027.

E o Brasil?

O Brasil se tornou o maior destino das exportações chinesas de NEVs no primeiro semestre de 2026, com 299.803 unidades importadas, alta de 158% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Xinhua, agência estatal de notícias da China.

Esse impacto será nos importados. Pelo sistema tributário da China, kits semiprontos CKD ou SKD, usados atualmente por fabricantes como a BYD, GM e Geely, são tratados como autopeças e recebem ressarcimento total de seu VAT de 13% (isto é, não pagam taxa nenhuma). Às vezes fabricantes declaram suas peças individualmente no lugar dos kits. Assim, mesmo se os fabricantes brasileiros cumprirem sua promessa de nacionalizar a produção, as peças que continuam a ser importadas continuam a não pagar a taxa.

Isso não vale, porém, para a peça mais cara de todas. Baterias são tratadas de forma diferente pelas autoridades chinesas: hoje elas apenas têm 6% de ressarcimento mas, a partir de janeiro, não terão mais desconto nenhum, pagando o total de 13% de VAT. Isso pode ter impacto nos preços de carros montados por aqui. Fica a se ver como as montadoras absorverão ou repassarão esses custos.

Via Administração de Tribuição do Estado da República Popular da China