
A eletrificação da frota ajudou a reduzir a demanda por 200 milhões de barris de petróleo em países importadores entre março e agosto de 2026. O volume equivale a cerca de US$ 20 bilhões (~R$ 108 bilhões), segundo levantamento do think tank Ember, organização especializada em análise do setor energético. E, de acordo com o estudo (e múltiplas atualizações que demos notícia), o Brasil superou os EUA em adoção.
De acordo com o levantamento, nos Estados Unidos, os veículos 100% elétricos a bateria (BEVs) representaram apenas 6% das vendas de veículos leves nos primeiros oito meses de 2026, após o encerramento dos créditos fiscais federais em setembro de 2025. Isso fez com que 15 países ultrapassassem os americanos pela primeira vez neste indicador, incluindo Brasil, Índia, Itália, Malásia e Nova Zelândia
Ao todo, 56 países foram acompanhados pela Ember. O número não significa que esses países vendam mais elétricos em números absolutos do que os Estados Unidos, mas que eles representam uma parcela maior dos respectivos mercados.
O Brasil apareceu entre os destaques no estudo, ao lado de Índia e Japão. E os números estão desatualizados: mostram o crescimento apenas até julho. Desde então, o Brasil ultrapassou a marca de 10% de BEVs nas vendas de automóveis, e manteve a marca já por um mês.

Contribuição dos EVs em meio à crise
O cálculo considera o petróleo que deixou de ser consumido por carros elétricos e híbridos plug-in durante a crise de abastecimento associada ao fechamento do Estreito de Ormuz. O estudo destaca que países que investiram em veículos elétricos antes da crise estão mais protegidos contra choques no mercado de petróleo.
A China respondeu por aproximadamente US$ 14 bilhões (R$ 75,6 bilhões) em petróleo não consumido, enquanto os países da União Europeia somaram US$ 3,1 bilhões (R$ 16,7 bilhões). Do total global estimado, US$ 16,5 bilhões vieram de veículos totalmente elétricos, enquanto o restante correspondeu aos híbridos plug-in, que ainda utilizam combustíveis fósseis.
Globalmente, as vendas de BEVs cresceram 11% na comparação anual e alcançaram 18% das vendas de carros novos entre janeiro e agosto, ante 16% no mesmo período de 2025. Excluindo China e Estados Unidos, o crescimento chegou a 45%. A Ember associa o avanço à combinação de políticas de incentivo, modelos mais acessíveis e expansão da produção local.
Avanço brasileiro sob risco?
Há um risco maior que zero que uma reviravolta geopolítica acabe quebrando o ritmo do crescimento do Brasil ao prejudicar as fabricantes chinesas. Nossa análise sobre a situação é de que uma quebra total é improvável, ainda que muita coisa seja imprevisível a respeito de um mandato tão diametralmente oposto ao atual.
Via Ember
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