
Sinal dos tempos? A Stellantis decidiu abandonar sua estratégia inicial para sua próxima geração de subcompactos elétricos (também chamados E-Cars).
O plano era inicialmente, na linha da “flexibilidade de soluções”, criar veículos “multienergia” – isto é, híbridos e a combustão interna, além do elétrico. Algo que já aconteceu com o malfadado Fiat 500e que ilustra a matéria.
O conglomerado foi um dos fabricantes ocidentais que mais anunciou recuos recentes em sua estratégia de eletrificação. Isso levou a Stellantis a ter sua nota rebaixada em 10 pontos no relatório anual do Conselho Internacional do Transporte Limpo (ICCT). O diretor de operações (COO) Emanuele Cappellano chegou a dizer que “não existe demanda natural por carros elétricos” – isto é, eles só vendem por subsídios.
Mas a Guerra do Irã acabou por criar um improvável herói da eletrificação: Donald Trump, o seu iniciador. Vendas de elétricos tiveram um grande incentivo por conta do aumento dos combustíveis e a sensação de insegurança criada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. A concorrente Renault viu suas vendas de EVs subirem 50%.
Dois modelos chegando

Agora é o próprio Cappellano dizendo, ao portal Automotive News Europe, que a sua empresa vai retornar ao caminho elétrico – ao menos no segmento dos subcompactos (E-Cars). O plano agora é simplificar o desenvolvimento criando apenas um BEV, com o preço por volta de € 15.000.
Isso é mais barato que um Dacia Spring – que aqui no Brasil era conhecido por Kwid E-Tech e era o elétrico mais barato do país, mas que não parece ter convencido o consumidor, que preferiu pagar mais por um Dolphin Mini.
Os minicarros que virão são um remake de um modelo clássico Fiat ainda a ser revelado e o já anunciado Citroën 2CV. O desenvolvimento desses modelos deve acontecer com parceiros, e tudo indica que será a Leapmotor, da qual a Stellantis possui 21% das ações e está cuidando de sua distribuição internacional – e que, aliás, irá produzir elétricos no Brasil.
Sem recursos para pesquisa
Cappellano afirmou à ANE que “com a competição de preços atual, a Stellantis não pode sustentar o nível de investimentos que precisa para fazer avançar nossa tecnologia e a oferta de produtos”. Ele também disse que a parceria com os chineses é um jeito de aprender com eles, “de forma humilde”, as tecnologias que sua empresa ainda está desenvolvendo, e complementar a oferta em segmentos que as outras marcas do grupo não estão servindo.
Com os E-Cars chegando, a Stellantis espera aumentar suas vendas e sua proporção de vendas de elétricos. O ponto é triplicar essa proporção até 2030, de acordo com o executivo.
A empresa, segundo Cappellano, tem estratégias diferentes para diferentes marcas: a Fiat e a Peugeot são as marcas globais, que devem ter prioridade para receberem as novidades. A Citroën, Alfa Romeo e Opel são marcas regionais europeias, e a DS e Lancia operam num só mercado. As marcas americanas – Jeep, Dodge, Chrysler e Ram – não foram mencionadas.
Aqui no Brasil, a Fiat lançou o já citado (e azarado) 500e, e a Peugeot chegou a vender o E-208 e E-2008, mas abandonou elétricos puros em 2025. Se o atual boom dos elétricos no Brasil se mantiver, é possível que as novas ofertas venham parar aqui. Salvo se a Stellantis preferir fazer como a Renault do Brasil, que cancelou o Kwid E-Tech para não concorrer com sua parceira, a Geely. Deixando tudo na mão dos chineses.
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