
Enquanto o Renault Kwid E-Tech sai de cena no mercado brasileiro (não está disponível no site ou lojas da marca), sua versão Europeia se prepara para uma nova fase. A Dacia confirmou o desenvolvimento da segunda geração do Spring, um dos carros elétricos mais acessíveis da Europa – e que era o elétrico mais barato do Brasil, o único abaixo de R$ 100 mil. Na Europa, ele sai por volta de € 17.000 (R$ 101 mil), basicamente empatando com o que era cobrado aqui.
O chamado Kwid E-Tech era basicamente um Dacia Spring “tropicalizado” (barateado), com um emblema da Renault e fabricado pela parceira Dongfeng na China.
A nova geração do Spring representa uma aposta na expansão da mobilidade elétrica popular no continente europeu. O modelo será construído sobre a mesma plataforma do futuro Renault Twingo elétrico e deverá manter a fórmula que o tornou um sucesso comercial: dimensões compactas, quatro lugares, porta-malas funcional e preço competitivo.
Um elétrico popular que conquistou a Europa
Lançado em 2021, o Dacia Spring acumulou cerca de 210 mil unidades vendidas na Europa em apenas cinco anos. O desempenho consolidou o modelo como um dos veículos elétricos de entrada mais conhecidos do continente, especialmente entre consumidores que buscavam uma alternativa de baixo custo para a eletrificação.
A Dacia afirma que a nova geração continuará focada na acessibilidade, característica considerada fundamental para ampliar o acesso aos carros elétricos. Embora os preços ainda não tenham sido revelados, a expectativa é que o modelo permaneça entre os elétricos mais baratos da Europa.
As primeiras imagens divulgadas pela marca indicam que o novo Spring poderá adotar proporções semelhantes às do futuro Renault Twingo, com visual mais moderno e melhor aproveitamento de espaço interno.
O adeus do Kwid E-Tech no Brasil
A notícia chega em um momento oposto para o mercado brasileiro. Em maio, a Renault confirmou o encerramento das vendas do Kwid E-Tech no país. O modelo deixou de ser importado e foi retirado do configurador oficial da marca.
Quando chegou ao Brasil, em 2022, o Kwid E-Tech chamou atenção por ser um dos primeiros elétricos de grande volume e o mais barato do mercado nacional. Entretanto, a chegada massiva das fabricantes chinesas mudou rapidamente o cenário.
Mesmo após atualizações recentes, a última foi em outubro de 2025, o compacto perdeu competitividade. Em 2026, registrou apenas 217 unidades emplacadas, segundo dados da consultoria K.Lume. No mesmo período, o BYD Dolphin Mini ultrapassou 21 mil unidades vendidas, enquanto o Geely EX2 superou seis mil emplacamentos.
Com a saída do Kwid E-Tech, o posto de elétrico mais barato do Brasil passou para o BYD Dolphin Mini, seguido pelo Geely EX2.
Nova estratégia global
A retirada do Kwid E-Tech também está ligada à nova estratégia industrial da Renault. A parceria firmada com a Geely prevê investimentos de R$ 3,8 bilhões na fábrica de São José dos Pinhais (PR), onde veículos das duas marcas passarão a ser produzidos.
Nesse contexto, manter o Kwid elétrico em um segmento cada vez mais disputado poderia gerar concorrência interna com os futuros produtos da aliança franco-chinesa.
A trajetória oposta de Spring e Kwid E-Tech mostra como o sucesso de um carro elétrico depende muito mais do ecossistema de mercado do que apenas do produto em si.
Via Renault
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